
















Projeto Entorno dos Mestres
Mapeamento do legado dos Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas já falecidos
Alagoas destaca-se no cenário cultural brasileiro pela sua rica diversidade de folguedos e manifestações populares. O estado é berço de expressões folclóricas como o Guerreiro, o Pastoril, o Reisado, a Chegança e o Coco de Roda, entre outras, que atravessam gerações e mantêm viva a herança cultural alagoana. Essa riqueza cultural está profundamente enraizada na história e nas tradições locais, consolidando Alagoas como um importante centro de cultura popular no Brasil.
A preservação dessas manifestações depende da transmissão das tradições populares, um processo essencial para a continuidade de seus valores simbólicos e identitários que as caracterizam. É nesse contexto que o projeto “Entorno dos Mestres” se insere, trazendo um olhar atento para o legado dos Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas, especialmente daqueles já falecidos.
Desde a criação da Lei do Registro do Patrimônio Vivo em Alagoas (RPV/AL) – Lei Estadual nº 6.513/04, alterada pela Lei nº 7.172/10 –, 33 mestres reconhecidos faleceram, levantando questões importantes sobre a continuidade e a preservação de seus legados. E neste sentido, o termo “entorno” foi cuidadosamente escolhido para refletir a complexidade dos contextos sociais, culturais e geográficos que circundam esses mestres. O projeto amplia seu escopo ao explorar o universo em que essas tradições estão inseridas, indo além do reconhecimento individual para compreender as dinâmicas mais amplas que sustentam a memória e a vitalidade dessas expressões culturais.
O projeto “Entorno dos Mestres” teve início em 2024, por meio de aprovação no Edital nº 28/2023 – Projetos Culturais voltados ao Fomento e Preservação do Patrimônio Cultural do Estado de Alagoas, da Lei Paulo Gustavo do Governo Federal, operacionalizada em Alagoas pela Secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult). Em sua primeira etapa, foram pesquisadas as trajetórias de 17 mestres falecidos, residentes no interior do estado. Além de pesquisas bibliográficas e documentais, realizou-se uma ampla investigação de campo, com visitas às comunidades onde os mestres atuavam. Depoimentos de familiares, amigos, brincantes e discípulos foram coletados para mapear não apenas a vida e obra desses mestres, mas também para verificar se suas práticas culturais persistiram após seus falecimentos.
A pesquisa levanta questões fundamentais: o que acontece com o Patrimônio cultural quando o mestre falece? Seu legado deixa de ser relevante? Há iniciativas públicas que fomentem a manutenção das práticas culturais e da memória desses mestres? Quais estratégias poderiam garantir que a história e as contribuições desses fazedores de cultura permaneçam vivas e acessíveis? Esses questionamentos orientam o projeto, que agora avança para sua segunda etapa, após uma nova aprovação, desta vez no Edital nº 12 – Valorização, Preservação e Difusão do Patrimônio Cultural: formação, pesquisa e memória, da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) de 2024 do Governo Federal, operacionalizada em Alagoas pela Secult, que garante recursos para a edição Maceió – focada nos legados dos 16 mestres que atuaram na capital alagoana, buscando aprofundar a preservação da memória desses mestres e refletir sobre mecanismos que garantam a continuidade de suas práticas culturais. O projeto está empenhado em continuar o resgate da história dos mestres falecidos que foram reconhecidos pelo RPV/AL, e, posteriormente, também de mestres falecidos que não foram contemplados pela Lei, que completou duas décadas em 2024.
O projeto visa ainda chamar atenção para o fato de que a preservação do patrimônio cultural imaterial vai além da documentação das tradições; é um esforço contínuo para garantir que o legado cultural seja celebrado e perpetuado em sua totalidade. O reconhecimento e a valorização dos mestres não são apenas um tributo a suas contribuições individuais, mas também um reflexo do respeito e da importância das comunidades e contextos que sustentam essas tradições.
Os resultados preliminares desta pesquisa foram divulgados no perfil do projeto no Instagram (@entornodosmestres), que funciona como um diário de bordo. Textos mais aprofundados estão AQUI nesta publicação.
Os resultados da pesquisa também foram apresentados em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), defendido pela idealizadora do projeto no Curso de Especialização em Práticas Culturais Populares do Museu Théo Brandão/UFAL. O TCC detalhou as etapas do projeto, os desafios enfrentados e traçou um panorama histórico da Lei do Patrimônio Vivo.

