Antônio de Dedé : Estética Singular e Vitalidade no Entalhe da Madeira
Nome Completo: Antônio Alves Santos
Conhecida como: Antônio de Dedé
Atividade reconhecida: Escultor em madeira
Local e data de nascimento: 17/06/1953 (Lagoa da Canoa)
Local onde atuou: Lagoa da Canoa
Patrimônio vivo de Alagoas: 1/10/2015
Falecimento: 16/ 06/ 2017 (Aos 63 anos)
Foto: Da internet
São Jorge, São Sebastião, São José, a Virgem Maria e Jesus; peixes, pássaros, tartarugas, touro, tigre, onças, leões, sereias e Zumbi dos Palmares eram alguns dos personagens que povoavam a mente criativa de Antônio de Dedé, um dos maiores mestres artesãos que Alagoas já conheceu. A força dramática de suas figuras e a riqueza expressiva nos detalhes – traços marcantes de sua arte – deram ao alagoano de Lagoa da Canoa grande reconhecimento nacional. Suas esculturas em madeira se destacaram pelas formas longilíneas, pelas cores vibrantes e harmoniosas, e por traços que equilibram força e delicadeza com maestria.
Antônio de Dedé demonstrou talento criativo desde muito cedo. Filho dos agricultores Dedé Lourenço e Dona Santina, nasceu em 17 de junho de 1953. Já aos 8 anos, surpreendia os colegas ao fabricar seus próprios brinquedos – carrinhos, aviões e peões – que despertavam admiração e espanto. Foi nessa época que surgiu seu primeiro negócio: a troca e venda desses brinquedos na vizinhança.
Foto: Da internet
Legenda para #CEGOVER | Na imagem, Mestre Antônio de Dedé, um homem negro de meia idade com cabelo curto e grisalho, aparece vestindo uma camisa social listrada de branco e azul claro. Ele está sentado e sorri de forma expressiva, com as mãos levantadas em um gesto animado. Ao fundo, aparecem algumas de suas esculturas de madeira pintadas, incluindo figuras humanas estilizadas. A cena transmite um ambiente artístico e descontraído.
O mestre, que recebeu do pai, Dedé Lourenço, o apelido pelo qual é amplamente reconhecido no universo da arte popular brasileira, nunca foi alfabetizado. Durante a infância, ajudava o pai, que, além de agricultor, também atuava como pedreiro, marceneiro e carpinteiro. Na adolescência, seu talento artístico começou a ganhar forma enquanto trabalhava em uma olaria. Ali, ele moldava figuras de barro, como patos, bonecos e cavalos, queimando-as junto com as telhas e, em seguida, pintando-as para dar vida às suas criações. “No meu trabalho, eu tava descobrindo o ouro”, recordou o artista em certa ocasião.
Com o fim das atividades na olaria, Antônio de Dedé passou a utilizar a madeira como sua principal matéria-prima. Inicialmente, dedicou-se a criar peças em pequenas dimensões, mas logo desenvolveu o estilo longilíneo que se tornaria a marca registrada de sua produção artística.
Ainda jovem, casou-se com Maria Aparecida dos Santos, com quem teve nove filhos. Embora a agricultura fosse a principal fonte de sustento da família, Antônio encontrava tempo para esculpir ao retornar do trabalho na lavoura. Seu talento e dedicação renderam-lhe reconhecimento na região, onde passou a ser conhecido como o “fazedor de bonecos”.
Suas obras eram adquiridas localmente, por meio de encomendas feitas por casas de santos que buscavam imagens para os cultos religiosos afro-brasileiros.
“Chegava uma pessoa que trabalhava nessas casas de mãe de santo e dizia: ‘Ah, faz um bonequinho pra eu botar lá?’ Aí eu fazia. Fazia Saravá, Ogum, Preto-Velho. Fazia. E eles levavam pra botar lá. Só que pagavam. Eu não fazia de graça não”,
contou Dedé em entrevista.
Sobre suas habilidades artísticas, ele sempre dizia que eram um ‘dom da natureza’, algo que surgiu a partir do olhar atento e do desejo de recriar o trabalho do pai. Ao compartilhar sua própria história, frequentemente ressaltava a importância do trabalho paterno para a descoberta de seu próprio talento artístico. Segundo ele, o pai produzia louças de barro e peças de carpintaria, como carros de boi, cadeiras, mesas, entre outros. Ele afirmava que o pai também era um artista, mas de uma maneira diferente da sua.
“Meu pai trabalhava na agricultura e aprendeu com meu avô. Foi aí que começou a fazer artesanato. Ele fazia de tudo: esteiras, jarros, mexia com argila. Mas a arte popular só começou a acontecer mesmo de 2002 pra cá. A primeira peça que ele fez foi por encomenda, mas a segunda ele quis fazer do jeito dele. Ele dizia que queria criar algo novo. E foi assim que surgiram o São Jorge, o Homem no Passo e a Sereia, três personagens que ele criou”, conta Adailton de Dedé, filho do Mestre Antônio de Dedé.
Antônio de Dedé e seu filho, o também artesão Adailton de Dedé. Foto: Acervo da família
Com o tempo, Antônio de Dedé foi aprimorando sua técnica e ampliando o repertório de personagens que criava. Ele esculpia em diversos tipos de madeira, mas tinha uma preferência especial pelo cedro e pela jaqueira. Suas obras variavam em tamanho, desde pequenas figuras até imponentes totens de 2 metros ou mais. Seus trabalhos se tornaram cada vez mais compactos: em um único tronco ou coluna, ele conseguia reunir toda a iconografia do santo ou elementos do personagem. Os detalhes de suas figuras se tornaram característicos: olhos arregalados, dentes expostos, bigodes, sobrancelhas e unhas, todos realçados pelo uso vibrante das cores. Embora a temática religiosa fosse uma constante, Antônio de Dedé também representava pessoas, animais, figuras míticas e heróis.
Para dar vida a suas criações, ele utilizava ferramentas adquiridas em lojas da cidade e trabalhava em uma oficina que montou no quintal de sua casa. Seu processo criativo era meticuloso, e uma única peça poderia levar dias ou até meses para ser concluída. Ele costumava deixar suas peças propositalmente expostas em casa ao sair para trabalhar na roça, na esperança de atrair a atenção de possíveis clientes. Era uma forma simples, mas eficaz, de mostrar seu trabalho aos transeuntes que podiam observá-lo pela fresta da porta.
Com o tempo, sua arte chamou a atenção de compradores de fora, especialmente ligados ao universo da arte popular, que começaram a adquirir e divulgar suas obras em escala nacional. Foi através da galerista Maria Amélia, proprietária da Galeria Karandash, que o trabalho de Antônio de Dedé ganhou maior projeção. Maria Amélia surgiu em um momento crucial na vida de Antônio de Dedé. Sua esposa havia falecido, deixando-o com nove filhos para criar. Enfrentando a solidão e dificuldades financeiras para sustentar a família, ele encontrou na arte e no apoio de Maria Amélia uma forma de superar os desafios e dar continuidade ao seu trabalho.
O mestre artesão Antônio de Dedé conquistou grande projeção, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Suas obras estão presentes em importantes coleções particulares e museus em todo o país. Ele participou de exposições no Brasil e no exterior, e suas peças passaram a ser comercializadas em prestigiadas galerias de arte em cidades como Maceió, Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Antônio de Dedé faleceu precocemente em junho de 2017, aos 63 anos. O trabalho árduo como agricultor afetou profundamente sua saúde, resultando em reumatismo e na necessidade de uma cirurgia na perna. Em 2010, incapaz de continuar na roça, ele se aposentou e se dedicou exclusivamente à sua arte. Além disso, os problemas pulmonares causados pelo uso excessivo de cigarro levaram ao desenvolvimento de um câncer. Contudo, seu legado segue vivo por meio de seus filhos e filhas, a quem transmitiu o dom de esculpir e pintar a madeira, e que mantêm a tradição da escultura familiar.
Reconhecimento e homenagens
Em vida, Antônio de Dedé teve seu trabalho amplamente reconhecido, tanto pelo poder público quanto por estudiosos da arte popular e grandes galeristas. Em 2012, recebeu o “Prêmio Culturas Populares – 100 Anos de Mazzaropi”, do Ministério da Cultura. Três anos depois, foi reconhecido como Patrimônio Vivo de Alagoas pela Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. “Depois que eu me tornei Patrimônio Vivo, a minha vida melhorou mais. É um dom que Deus dá para a gente sobreviver. É uma tradição da gente aqui, cada um tem um dom que Deus dá. Nunca podemos perder a fé, nem a esperança”, disse o mestre em entrevista após receber o seu título em 2015.
“Em 2010 ele já era aposentado e recebeu o título de Patrimônio Vivo de Alagoas, foi maravilhoso. Ele sustentava a família e esse reconhecimento também foi muito importante pela parte financeira. Daí então ele começou a juntar um trocado, porque o sonho dele era comprar um terreno e conseguiu”,
recorda Adailton de Dedé.
Antônio de Dedé participou de exposições de grande relevância ao longo de sua carreira. Em 2012, esteve no projeto “Teimosia da Imaginação”, que incluiu livro, documentário e exposição no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, além de participar da exposição “Histoire de Voir”, organizada pela Fundação Cartier, em Paris. No ano seguinte, a Galeria Estação realizou uma exposição individual, apresentando 38 esculturas, com curadoria de Roberta Saraiva Coutinho. Um mês após seu falecimento, foi homenageado no Espaço Janete Costa e na 18ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), em Olinda.
Exposição Antônio de Dedé, Galeria Estação. Foto Divulgação Exposição Antônio de Dedé, Galeria Estação. Foto Divulgação Exposição Antônio de Dedé, Galeria Estação. Foto Divulgação
Além disso, sua obra foi reproduzida no livro Arte Popular Brasileira, volume II, da editora Décor-SP. E ainda em 2017, no ano de seu falecimento, foi inaugurado um memorial em sua homenagem no centro de Lagoa da Canoa, cidade onde viveu. O espaço exibe as ferramentas que ele utilizava, livros, fotografias e obras, além de apresentar trabalhos de alguns de seus filhos.
“Meu pai tem peças espalhadas no Canadá, na França, em Portugal, até no Japão. Quando ele começou, nós participamos de várias exposições. Em 2002, teve a primeira exposição do mestre no Rio de Janeiro. Quando expomos no Museu do Folclore, aí o trabalho dele explodiu”, relembra Adailton de Dedé. “No começo, só Maria Amélia comprava as peças dele. No início, ele vendia arte por 100, 200 reais, mas depois as peças só saíam por 2.000, 2.500. Logo depois, começaram a chegar galeristas, compradores e a imprensa, querendo fazer matérias com ele. Do trabalho dele mesmo, nós só ficamos com duas peças pequenas guardadas, que estão lá no memorial, e que já foram emprestadas por Celso Brandão. ”
Memorial Antônio de Dedé – Lagoa da Canoa – Alagoas
Continuidade
Antônio de Dedé transmitiu seus conhecimentos artísticos para seus nove filhos, que hoje mantêm viva a produção iniciada pelo pai e passam adiante o aprendizado para as novas gerações. Todos nutrem um enorme carinho pelo mestre, que sempre fez o possível para criá-los com dedicação e amor.
Cada um dos filhos segue o caminho traçado por Antônio de Dedé, utilizando seu trabalho como referência. Enquanto alguns preservam traços mais próximos ao estilo do pai, todos expressam sua criatividade de forma única, incentivados pelo próprio Antônio, que desejava que cada um encontrasse seu lugar no mundo.
Família de Antônio de Dedé. Foto: Artsol
“Todos os filhos dele hoje trabalham com artesanato. Nosso pai começou em casa, a gente já fazia na infância. Desde criança, nós já fazíamos esteira, balaio, tudo isso pra vender na feira. E a arte popular brasileira nós aprendemos vendo nosso pai trabalhar. Todo dia eu ficava olhando ele trabalhar,” conta Adailton de Dedé. “Um dia, de tardezinha, eu encontrei uma madeira meio torta e resolvi fazer minha primeira obra sozinho. Cheguei em casa e disse ao meu pai que queria fazer um São Jorge, mas, como a madeira estava toda torta, eu ia fazer uma bailarina. Queria fazer do meu jeito, sem que ele me ensinasse. Mas ele ainda me deu umas orientações para finalizar. E assim, a família toda foi aprendendo. Ele ensinava todo mundo. Todo mundo trabalha com arte, cada um no seu estilo.”
Assim como Antônio de Dedé adotou o nome de seu pai, os filhos também deram continuidade a essa tradição na família. “Utilizo o nome dele como meu nome artístico também e hoje eu continuo um legado que era do meu pai. Ele já faleceu como Patrimônio Vivo do Estado em arte, escultura e design,” diz Antônio José de Dedé.
“As raízes que trabalhamos aqui são raízes de talentos indígenas, assim como questões da religiosidade e trabalhos da natureza. Isso vai da criatividade. Olhando para as obras, dá pra perceber mais do que só falando. As peças são todas criadas na hora. O povo então descobriu nosso talento, que era um dom da natureza.”
Outro filho, Ismael de Dedé, reforça o impacto do legado do pai: “Sou conhecido por aí como Ismael de Dedé, porque desde os 20 anos dou continuidade ao trabalho do nosso pai. Quando eu fiz minha primeira peça, eu tinha 9 anos de idade. Foi meu pai que me ensinou; foi até um indiozinho. Depois que ele me ensinou, eu vim de lá pra cá só continuando o trabalho dele até chegar nesse porte que estou hoje. Depois do ensinamento dele, ele faleceu como Patrimônio Vivo. Nós herdamos o talento dele e não paramos mais.”
Ismael de Dedé. Foto: Iranei BarretoAdailton de Dedé. Foto: Iranei Barreto
Mesmo após o falecimento de Antônio de Dedé, seus filhos continuam sendo convidados para expor suas obras. “A gente participa de várias exposições no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife. E na Europa também. Já tem muitas peças nossas fora do Brasil,” explica Ismael. “Assim como meu pai, a gente também começou trabalhando na agricultura. Nessa época, ele já era artesão, não conhecido, mas por hobby. Fazia brinquedos pra gente brincar e pro pessoal daqui também: era pião, pipa, carrinho de boi. Enfeitava as estantes com aqueles boizinhos. Aí, depois que ele foi reconhecido, nós também entramos na arte. De lá pra cá, a gente só trabalha com a arte mesmo.”
Adailton reforça a importância de manter a tradição viva: “Ano passado, nós fomos convidados para expor novamente no Rio com as peças dos filhos, representando o legado do mestre Antônio de Dedé. Todos os filhos trabalham, e a arte não pode morrer. A gente tem que botar a arte dele pra funcionar. É um trabalho muito bonito, ajudou muito a gente. Foi um sonho dele que se realizou: conseguir viver da arte. A história do meu pai aqui não pode morrer, tem que continuar. O que a gente tiver de força, saúde e coragem pra trabalhar é pra fazer obra, ” comenta.
Galeria de Imagens – Entrevista
Arquivo Audiovisual
Currículo Artístico de Antônio de Dedé
Exposições Individuais:
2013 – Exposição Antonio de Dedé | esculturas, Galeria Estação, São Paulo, SP, Brasil
2008 – Cores e formas de Antônio de Dedé, Museu Théo Brandão, Maceió, AL, Brasil
Exposições Coletivas:
2020 – Que Mestre é Esse?, Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), Rio de Janeiro, RJ, Brasil 2018 Arte Popular Brasileira, Palácio das Artes, Belo Horizonte, MG, Brasil 2015 –Enquanto Isso, Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS, Brasil 2014 – Memórias Vívidas, Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França 2014 Quase figura, quase forma, Galeria Estação , São Paulo, SP, Brasil 2012-2013 – Janete Costa “Um Olhar”, Museu Janete Costa, Niterói, RJ, Brasil 2012 Histórias de Ver, Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França 2012 – Teimosia da Imaginação – dez artistas brasileiros, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 2012 Teimosia da Imaginação – dez artistas brasileiros, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP, Brasil 2011 Arte Sacra Popular, Galeria Pontes, São Paulo, SP, Brasil 2011 – Artistas de Alagoas, Galeria Pontes, São Paulo, SP, Brasil
Coleções Públicas:
Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, França Museu Théo Brandão, Maceió, AL, Brasil
Publicações Selecionadas:
2018 – Arte Popular Brasileira: olhares contemporâneos, Vilma Eid e Germana Monte-Mór, Editora WMF Martins Fontes, São Paulo, SP, Brasil 2013 – Antonio de Dedé | esculturas, Vilma Eid e Roberta Saraiva, Lis Gráfica, São Paulo, SP, Brasil 2012 Janete Costa “Um Olhar”, Mario Santos, Lis Gráfica, São Paulo, SP, Brasil 2012 –Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro, Maria Lucia Montes, Editora WMF Martins Fontes, São Paulo, SP, Brasil 2012 Teimosia da imaginação: Dez artistas brasileiros, Maria Lucia Montes, Martins Fontes, São Paulo, SP, Brasil 2012 Histoires de Voir – Show and Tell, Fondation Cartier pour l’Art Contemporain, Editoriale Bortolazzi-Stei
Publicações encontradas
Reportagens e postagens sobre o Mestre Antônio de Dedé publicadas na internet
Equipe de pesquisa: Iranei Barreto, Nicollas Serafim, Givaldo Kleber
Transcrição das entrevistas: Nicollas Serafim
Texto: Iranei Barreto
Identidade Visual: Joenne Mesquita
Créditos das imagens: Iranei Barreto, Divulgação e da internet
*Texto em constante atualização. A proposta do projeto Entorno dos Mestres é criar um arquivo com o maior número de informações possíveis sobre os Mestres do Patrimônio Vivo de Alagoas já falecidos.
*LPG ALAGOAS – O projeto “Entorno dos Mestres” é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo do Governo Federal, operacionalizado pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SECULT).
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