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Wado multifacetado

A poesia das canções de Wado espalhadas em 10 discos e 17 anos de carreira não foi suficiente para dar vazão a seu desejo e sensibilidade artística. Além nos captar pela audição com sua sonoridade brasileira-contemporânea, há pouco tempo empenhou-se em aguçar a percepção do público com seu trabalho visual. E mais recentemente, através do lançamento do livro “Água do mar nos olhos”, convidou-nos a tatear suas letras e ilustrações. Ele recebeu o Aqui Acolá para conversar mais sobre esses e outros projetos que pretende lançar em breve.

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Foto: Divulgação

Vivendo em Maceió desde os 8 anos de idade, o catarinense de 41 anos encantou-se pela música e começou a tocar desde garoto. Teve uma banda na adolescência e, quando terminou a faculdade de Jornalismo na Universidade Federal de Alagoas foi tentar viver de música profissionalmente. Já em 2001 lançou seu primeiro disco “O manifesto da arte periférica”. Ele afirma que entrou no mundo das artes plásticas meio que na brincadeira. “Na verdade, eu sempre gostei de desenhar e fazia umas anotações gráficas dos discos, mas não levava isso muito a sério a ponto de pensar que poderia resultar num trabalho”, comenta.

Suas inspirações concentram-se na arte urbana. “Sempre que viajo, acompanho bastante. Aqui, infelizmente, a gente tem pouco disso. A Didi (Magalhães) com o Galpão 422 tá tentando estabelecer um espaço para uma arte mais contemporânea”, diz ele. “Ao mesmo tempo seguia fazendo essas coisas em casa. Quando você decide fazer um disco é um processo lento, leva 2 ou 3 anos pra conseguir. E isso envolve muitas anotações e eu ficava ali olhando, pensando e acabava desenhando do lado”. Segundo ele, a partir de 2017 suas obras começaram a brotar mais forte e aparecer para o público, experimentando e aprendendo sozinho.

“Na pintura que faço tem um senso de humor maior do que na música, eu acho”, revela. “Mas, assim como na música, eu busco sempre uma brasilidade”.

Apesar do pouco tempo, Wado já tem no currículo uma exposição individual – “Experimento”, que ficou em cartaz no Galpão 422 em Maceió em 2017. Seis meses depois foi contemplado no edital de exposições temporárias da Secretaria de Cultura de Alagoas e montou a mostra “Escamas” no Museu da Imagem e do Som (Misa).  Em junho de 2018, juntou-se ao ilustrador e artista visual Pedro Lucena para liberar, também no Galpão 422, sua “Euforia”.

Seus trabalhos visuais estão compondo a coletiva “Da margem pra dentro” organizada pela curadora Carol Gusmão na Galeria de Artes do Cesmac, ao lado de outros artistas contemporâneos da cidade como Suel, Munganga, Pão, Rafael Santos e Levy Paz. Para esta ocasião, Wado preparou uma série de fumantes utilizando tinta acrílica no papel kraft. “Gosto dessa série, ela tem um senso de humor interessante. Faço uma espécie de serigrafia suja com recortes e papel”.

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Junto a tudo isso, Wado ainda tem mais um lado de seu eu artístico para mostrar – o da literatura. O livro “Água do mar nos olhos” foi lançado há pouco tempo pela Editora Graciliano e contém uma compilação das letras de seus 9 primeiros discos intermeados com desenhos feitos informalmente em cadernos com canetas bic e pinturas com tinta acrílica, além de pequenas notas de moleskines. E já em novembro está previsto outro lançamento editorial. “Esse é um livro de 150 páginas com pequenos textos e aforismos. Vai se chamar Caderno de Anotações e é um outro fruto daquelas anotações em moleskines”, afirma. Além dos textos, o lançamento também vai contar com um elemento visual surpresa. “Vai ser interessante porque as letras das músicas as pessoas já conhecem. Esse livro que vai sair contém textos inéditos, sem compromisso com rimas”.

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Foto: Acervo pessoal do artista
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Foto: Acervo pessoal do artista

Na vertente musical o ano também está sendo cheio para Wado. Em março saiu o DVD “Wado Ao Vivo no Rex Jazzbar”, gravado em Maceió com participação do pernambucano Otto. Em maio lançou “Precariado”, 10º disco de sua carreira musical, o qual vem recebendo boas críticas e recomendações. A Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) indicou o trabalho entre os 25 melhores do Brasil no primeiro semestre. “Saiu crítica boa na Rolling Stone, no Globo. O disco está indo bem, graças a Deus”. Foi a Portugal onde fez três shows para marcar o lançamento do álbum – duas datas em Lisboa e uma em Tondela. E no dia 15 de setembro, Wado fez o show de lançamento em Maceió, no Rex JazzBar, com participação de João Paulo da banda Mopho.

“Produzi muito este ano também porque o mercado está meio recessivo”, revela. “Mas acho que as missões foram cumpridas com louvor, o disco está sendo bem recebido pelas pessoas. E nesse momento estou procurando expandir meus horizontes para além da música. Para onde isso vai dar vamos ver nos próximos capítulos”, brinca.

 


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A arte experimento de Wado no Galpão 422

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