Música

MusicAL: O esmero elegante na música de Rodrigo Avelino 

A 2ª edição da coluna MusicAL é dedicada à elegância do trabalho de Rodrigo Avelino. Cantor e compositor de Maceió, a rica sonoridade de suas melodias e o lirismo sofisticado de suas letras se complementam, entregando ao ouvinte um trabalho musical sério, maduro e criativo.

*Nicollas Serafim 

A 2ª edição da coluna MusicAL é dedicada à elegância do trabalho de Rodrigo Avelino. Cantor e compositor de Maceió, a rica sonoridade de suas melodias e o lirismo sofisticado de suas letras se complementam, entregando ao ouvinte um trabalho musical sério, maduro e criativo. Com dois discos lançados e com planos de um terceiro para o próximo ano, Rodrigo destacou pontos importantes de sua trajetória de duas décadas de atividades, composições e energias musicais sentidas e emanadas. 

Maceioense e com 40 anos de idade recém-completados, ele devota toda sua influência inicial e interesse fundamental na música a sua mãe Zilda. “Cresci no bairro do Vergel em um ambiente bem musical, aprendi a gostar de música ouvindo as canções que minha mãe cantava”, diz ele. Ainda na infância, buscava participar de todo evento que envolvesse música na escola, além de imitar em frente ao espelho os cantores que via na TV. “Eu estudava numa escola de freiras e todo começo de semana a gente cantava o hino nacional. A irmã vinha com o microfone pelos alunos pra que eles participassem, e quando ela não passava por mim eu ficava invocado”, lembra. “Eu queria cantar no microfone, isso sempre me interessou”. 

Algum tempo depois, Avelino se descobriu compositor. “Isso foi em 1999. Escrevi uma letra e comecei a cantarolar e quis muito entender aquilo que eu estava fazendo”, afirma. “Então, já no ano 2000 foi quando eu ganhei meu primeiro violão. Comecei a aprender a tocar olhando as revistas, levava o violão pra escola pra mostrar pros amigos”. As coisas começaram a ficar mais sérias já em 2003, quando recebeu um convite para tocar na quadrilha junina Luar do Sertão. “Foi a primeira vez que eu toquei recebendo um cachê. Desde então, a música sempre me acompanha”, comenta. “Hoje eu vivo exclusivamente da música”. 

De lá pra cá, suas composições foram ganhando força e projeção, tanto localmente como para fora de Alagoas. Em 2007, participou pela primeira vez do Festival de Música do SESC (Femusesc), apenas dois anos depois foi o vencedor do festival. “Em 2009, graças ao Femusesc eu tive a oportunidade de sair do estado, fui pra Maringá-PR, foi uma alegria imensa participar de um festival fora de Alagoas”, revela ele. “Depois vieram outros como o Festival da Ufal, o Em Cantos, alguns outros projetos de circulação do SESC onde a gente ia pros interiores tocar, era bem interessante”. 

Segundo ele, suas criações geralmente começam pela melodia, muito através da inspiração. “Normalmente vem uma ideia melódica e através dela eu começo a criar uma história”, revela. Para Rodrigo, o compositor precisa estar bem para receber a inspiração. “Eu acredito muito no poder da música, na energia que a música tem. Ela escolhe o momento. Comigo acontece assim. A energia tem que estar coincidindo com a energia da música, e aí ela usa o compositor pra ganhar vida”. 

Durante sua carreira, também escreveu em parcerias com outros compositores, como Renata Peixoto na canção “Será que vai lembrar de mim?” presente no disco “Infinita” da artista em 2016; no disco “Cantigas de amor e festa” do artista David Ferreira, Rodrigo participa cantando a canção feita com David chamada “A chegada de Maria”. Já no disco Clarão da cantora May Honorato, ele também canta as músicas feitas em parceria com May, Clarão e Canção de Partida; assim como a canção Velas, presente no segundo disco da artista, Estranho Familiar. 

Seu primeiro álbum, Tempo de Ser Feliz, saiu em 2019, inclusive com um show de lançamento no Teatro Deodoro, maior e mais importante palco da cultura alagoana. “Foi muito emocionante porque foi a primeira vez que eu toquei lá”, diz ele. “E lancei neste ano de 2022, no mês de maio, meu segundo disco chamado Concerto Íntimo”. 

O som de Rodrigo tem os pés firmes na Música Popular Brasileira, mas seus braços são longos e alcançam sonoridades abrangentes como o jazz e o forró.

“Minha maior referência é Djavan, não tem nem como negar, as pessoas já percebem. Mas, ultimamente estou ouvindo muita coisa do Milton Nascimento, que é uma outra referência”, diz ele. “E muitas coisas atuais dessa nova MPB, acho que existe um movimento legal de renovação. Estamos perdendo grandes nomes da música, mas tá vindo aí uma galera com um trabalho massa como Gilsons, Zé Ibarra que tocou com Milton e tem uma banda chamada Bala Desejo”.

Refletindo e olhando sua trajetória até aqui, Rodrigo Avelino sente que está num momento de transição em sua carreira. “Depois da pandemia, a gente teve que se reinventar. Desde este meu segundo trabalho estou ouvindo coisas novas, buscando outros caminhos, tentando planejar 2023 com algumas ideias”, revela. “Quero lançar um novo disco. Tenho o desejo também de lançar um trabalho mais voltado para a questão regional, algumas músicas foram feitas já pensando nisso”. 

Artista independente, Rodrigo tem a consciência da luta diária para se manter ativo. “São vários desafios, mas eu não posso reclamar da vida, sabe? O artista independente tem que ser um empreendedor, pensar no todo. Na maioria das vezes, ele é que produz o próprio show, ele que cria estratégias. Durante a pandemia, tive que me reinventar um pouco, criei produtos e fiz uma lojinha virtual”. A Lojinha do Avelino possui várias artes para camisetas e cadernos, além do CD físico Tempo de Ser Feliz. 

Com a força de sua música e a energia propulsora de levá-la sempre ao próximo nível, Rodrigo Avelino segue levando a vida com a música, lado a lado. “O grande sonho é levar a música o mais longe possível. Hoje eu sou um músico da noite, toco um repertório de MPB, mas volta e meia eu coloco alguma música autoral. A bandeira do autoral é algo que eu não solto, a gente sempre tem que estar mostrando nossas músicas, sempre produzindo”. 

Ele também iniciou um novo projeto chamado Unoduo, com sua namorada Joana Vitória. “Começamos a tocar desde agosto e, graças a Deus, estamos conseguindo conquistar alguns espaços. A gente espera que 2023 seja um ano com muitas oportunidades, a gente vai buscar, não podemos esperar que elas apareçam”, conclui. “2023 tá vindo aí, algumas músicas estão prontas e vamos nos movimentar pra lança-las”. 

Disco Tempo de Ser Feliz

Tempo de Ser Feliz (Rodrigo Avelino)

Projeto “Tempo de Ser Feliz na Cidade!”

Disco Concerto Íntimo

Instagram: @rodrigoavelinooficial 

*Nicollas Serafim – Maceioense, 30 anos e jornalista formado pela Universidade Federal de Alagoas. Trabalhou como estagiário no portal de notícias mais.al e na Assessoria de Comunicação do Instituto Zumbi dos Palmares. Repórter colaborador do blog Aqui Acolá desde fevereiro de 2016, é também compositor e amante das palavras e das imagens. Seus interesses passeiam pelas manifestações e expressões populares, do folclore à crônica, do futebol à música.

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