Música

Inventário musical de 2017

2017 está morrendo, mas ficará na memória como um ano de bons lançamentos. Confira a “lista”

Não sei quando surgiram as listas. Ainda me parece estranho que neandertais desenhavam em paredes de cavernas o que desejavam caçar naqueles dias, tipo uma relação de supermercados. A verdade é que, com o grande volume de conteúdo disponível nos dias de hoje, elas acabam sendo cada vez mais utilizadas, pois há mais discos para ouvir, livros para ler, filmes para assistir que espécies a abater. Mas a ideia de que alguém precisa nos guiar nesse safári de produtos culturais é um tanto supervalorizada, na minha opinião. É bom saber o que as pessoas consomem e recomendam, sem aquela ilusão da verdade absoluta – se uns amam sushi e outros odeiam, o mesmo deveria valer para Chico Buarque – mas ainda é imprescindível arriscar passeios sem mapas, para descobrir artistas por sua conta e risco. E não há nada errado com suas escolhas musicais… a não ser que você tenha preferido a Márcia Castro de Treta.

Brincadeiras à parte, se você chegou até aqui em busca de um top 10, de um rol incontestável de bons, que revela uma lacuna de ruins… receio que você veio ao lugar errado. Aqui você vai encontrar apenas um punhado de sugestões para audição, um rascunho, que pode ter esquecido, inclusive, o seu artista favorito. Você sabe, a memória é falha e, por mais que o ano tenha parecido curto, 2017 não deixou de ter 365 dias e um bocado de ótimos discos lançados a cada nascer e pôr do sol.

No que toca ao Aqui, em Alagoas, há muito a celebrar: foi um ano de bons lançamentos. Andréa Laís, com o refinado SOLAR, e Elisa Lemos, com o sofisticado Grande Angular, marcaram golaços logo no primeiro minuto de jogo com seus álbuns de estreia. Marinho superou o seu EP debutante, de 2015, com o ótimo Sombras, completo dessa vez, com mais personalidade. Cris Braun e Dinho Zampier nos levaram por belas cenas musicais em Filme.

Edi Ribeiro, como só ele poderia fazer, misturou Forró e Jazz no aguardado Eu no Baião de Dois, seu primeiro disco solo. Teve o festejado retorno da Mopho, em Brejo, mostrando um João Paulo afiado como sempre. Pedro Salvador surgiu com seu disco solo homônimo, fluente em sonoridades vintage, como seus projetos Necro e Messias Elétrico.

Em Atom Heart Auto, a Capona apurou o seu Grunge místico num disco coeso e com guitarras indomáveis. Não podemos esquecer o split VLHS FRNDS, de Jorg e Callado: curto, mas um lo-fi de beleza cristalina. E o disco artesanal de Bruno Berle e Eduardo Pereira – que você dificilmente achará na Internet ou em qualquer lugar, mas que a dupla vendeu como água… ou melhor: como cerveja em madrugadas de sábado.

VLHS FRNDS, de Jorg e Callado
VLHS FRNDS, de Jorg e Callado
Blog Aqui Acolá - Bruno Berle (4)
Disco artesanal de Bruno Berle e Eduardo Pereira

Do lado oposto, numa pegada MPB mais convencional, mas competente, Robson lançou Lar do viajante, com direito a Carlos Bala na bateria. E na seara instrumental, o talento natural Chau do Pife colocou mais um título em sua discografia: “Meu pife, meu amigo”.

Enfim, um ano para se comemorar. Muitos bons lançamentos, na melhor tradição da diversidade de ritmos e estilos da música alagoana. É interessante perceber, também, uma intenção em se trabalhar o formato de disco, na contramão do formato fragmentado dos singles, que parece dominar o mercado nacional. E me refiro a disco não apenas como o suporte físico, mas como um conceito, como o conjunto de canções. É bacana ver tanta gente pensando sua música dentro de uma obra, um conceito, um repertório. Que 2018 seja ainda mais próspero em lançamentos musicais.

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