Dossiê Fotografia Alagoana

O fotojornalismo do cotidiano de Alisson Frazão e Itawi Albuquerque

2ª edição - 4ª temporada do Dossiê Fotografia Alagoana

A 4ª edição do Dossiê Fotografia Alagoana desta segunda temporada é dedicada aos fotógrafos Itawi Albuquerque e Alisson Frazão. Jovens e dedicados a cobrir com imagens as notícias do dia a dia, mas sempre dispostos a olhar e retratar as cenas diárias de forma singular e a seu estilo. O Blog Aqui Acolá conversou com os dois sobre o que pensam sobre a profissão, o gosto pela fotografia esportiva, suas similaridades e diferenças, além de destacar seus trabalhos e trajetórias por trás das câmeras.

Itawi Albuquerque


é natural da capital alagoana e sempre esteve em contato com o mundo das imagens, tanto a fotografia quanto o vídeo. Filho de cinegrafista, conseguia acompanhar um pouco dos bastidores de estúdios de TV, o que foi fundamental para seu encantamento. “No ano de 2009 fiz um curso profissionalizante de Photoshop, tive bom desempenho com o software e fui indicado para trabalhar numa empresa de fotografia de formaturas”, lembra.



Itawi Albuquerque | Foto: Itaciara Albuquerque

“Durante esse período tive a oportunidade de conhecer melhor uma máquina fotográfica, entender sobre flash e iluminação. Foi então que estudei mais sobre o assunto e no ano seguinte entrei no curso de Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas”.

Há cerca de 10 anos, Itawi vem desenvolvendo trabalhos fotográficos envolvendo eventos sociais, fotojornalismo, casamento, fotos de arquitetura, dentre outros.

Minha paixão é o fotojornalismo e a fotografia de esportes, em particular o futebol. Mas também gosto de fotografar paisagens, animais e experimentar fotos em macro e longa exposição”, revela.

Futebol Brasil X Japão - Arena Pernambuco | Foto: Itawi Albuquerque
Futebol Brasil X Japão – Arena Pernambuco | Foto: Itawi Albuquerque
Futebol CRB | Foto: Itawi Albuquerque
Futebol CRB | Foto: Itawi Albuquerque
Futebol CSA | Foto: Itawi Albuquerque
Futebol CSA | Foto: Itawi Albuquerque

“Sempre utilizo o modo manual da câmera, pois prefiro ter o total controle de abertura da lente, da velocidade e do ISO, mesmo sabendo que posso perder algum momento importante”, diz ele. “Dessa maneira posso criar um desfoque, uma silhueta ou até mesmo uma imagem borrada, mas tudo isso fará parte de uma estética que serve de mensagem”. 

Itawi também destaca o uso do flash nas imagens que produz. “Para mim ele é fundamental para uma melhor iluminação da cena, mas também me oferece possibilidades de luz criativa para realçar o personagem de uma matéria, por exemplo”.

Suas referências e inspirações fotográficas são compostas de artistas de diferentes áreas. Segundo ele, muitos trazem conexões diretas para trabalho de fotojornalista. “Gosto muito do trabalho do Ueslei Marcelino (Brasília), Jonne Roriz (São Paulo), Felipe Dana e do Raul Spinassé (Alagoas) ”, comenta. “Ultimamente venho seguindo também o perfil criado pelo fotógrafo Danilo Verpa, no Instagram, chamado Covid Photo Brazil (@covidphotobrazil), que reúne fotos incríveis da situação de pandemia que estamos passando e que me dá referências também”.

Além disso, ele destaca o trabalho documental de Celso Brandão, Ricardo Nogueira no fotojornalismo esportivo, Evandro Teixeira, Araquém Alcântara e Sebastião Salgado. “Recomendo Milton Guran para estudos sobre fotojornalismo atual e os livros de Michael Freeman, que aprofundam os conhecimentos técnicos e teóricos da fotografia”, aconselha.

Seu trabalho como fotojornalista pode ser conferido através do site do Tribunal de Justiça de Alagoas e da Prefeitura de Maceió. “Ou até mesmo nas notícias dos sites e jornais da cidade. Apesar de que muitas vezes não creditam a imagem, colocam “divulgação”, o que é transgredir a lei dos Direitos Autorais”, desabafa.

Além disso, participou de exposições como a “Alagoas Te Faz Feliz” em 2017 promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) no Parque Shopping, retratando os mestres artesãos do estado em seus ofícios. “Essas fotos, em sua maioria, também foram utilizadas para elaboração do Catálogo do Artesanato Alagoano do Ano de 2016”; a exposição “Alagoas é Muito Mais” em 2016, que mostrou a riqueza da região do São Francisco e ainda fez três participações na exposição do Instituto do Meio Ambiente (IMA). Itawi também é membro da ARFOC e integra desde 2015, a cada final de ano, a exposição das melhores fotos e vídeos dos associados.

Catálago do artesanato alagoano 2016 | Foto: Itawi Albuquerque
Catálago do artesanato alagoano 2016 | Foto: Itawi Albuquerque
Catálago do artesanato alagoano 2016 : Foto: Itawi Albuquerque.
Artesã Mestre Dona Irineia | Foto: Itawi Albuquerque
Artesã Mestre Dona Irinéia | Foto: Itawi Albuquerque

“A exposição mais recente faz parte de um projeto chamado “Ruptura”, que retrata a situação dos bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto. Mostra a região que foi atingida pelas rachaduras provocadas pela mineração da empresa Braskem. O grupo de 12 fotógrafos realizou uma intervenção urbana com a colagem de 96 fotos na Praça Lucena Maranhão em Bebedouro e na Rua José da Silveira Camerino, no bairro do Pinheiro. Foi criado também um site contendo mais informações e depoimentos dos participantes (projetorupturamcz.wixsite.com/fotografia)”.

Para ele, a fotografia digital e o advento das novas tecnologias facilitou enormemente a vida de quem tem curiosidade de se aventurar na arte da fotografia. “Poucas famílias conseguiam ter a fotografia dentro do seu convívio, e quando conseguia eram só doze poses no filme”, lembra. “Com o digital houve uma disseminação muito boa das imagens dentro da sociedade. E hoje eu vejo um mercado muito democrático, contudo com isso gera mais concorrência”.

Atualmente, Itawi dedic-se à criação de forma virtual, junto a um grupo de fotógrafos, da Casa Alagoana da Photografia. O intuito do projeto é fomentar políticas públicas que visem à discussão da arte da fotografia em Alagoas e a sua relação com as demais artes e a cultura em geral.

“Vou colaborar na parte de finanças e também como elo para assuntos relacionados ao fotojornalismo no nosso estado para que possamos conhecer a história desse ramo tão importante da fotografia: quem são esses profissionais, promover debates, etc.”, destaca ele. 


Alisson Frazão | Foto: Itaciara Albuquerque

Alisson Frazão


também é maceioense e tomou contato com o mundo da fotografia em 2008, durante o final do período de seu ensino médio. “Tinha uma máquina semiprofissional e sempre registrava coisas da turma da escola nas feiras de ciências e saídas da turma”, relembra. Além disso, encantou-se com o jornalismo após estagiar em 2012 como menor aprendiz na TV Gazeta de Alagoas. Neste mesmo ano ganhou a primeira câmera profissional e pegava carona nas aulas de fotografia da irmã no curso de Publicidade e Propaganda.

Em 2014 participou de uma palestra realizada pela Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos no Estado de Alagoas (ARFOC-AL) – da qual Alisson inclusive faz parte hoje em dia – e nela o jornalista e editor do jornal O Estado de São Paulo Armando Fávaro falou sobre o futuro do profissional da imagem. “Isso foi muito importante porque ele explicou como ser parceiro de agências de notícias, coisa que faço atualmente. E com isso, sempre que acontecia algum evento relevante que gerasse pautas em Maceió, eu fazia a cobertura e enviava para possíveis publicações”, revela. Aliado a esses trabalhos com fotojornalismo que começou a desenvolver de maneira freelance para agências de jornalismo, Alisson também cobria alguns eventos sociais para poder juntar dinheiro e melhorar o equipamento.

Cursou Administração de Empresas até o último período, mas não concluiu e passou a se dedicar somente na fotografia. “Passei a viver através dela e, apesar de não ter a formação no diploma, buscar os conhecimentos na internet e com os profissionais da área foi meu maior aprendizado”, comenta. “Até hoje estudo para sempre melhorar e evoluir”.

Segundo Alisson, a fotografia esportiva, mais especificamente de futebol, é o que mais gosta de fazer. “Fotografar futebol é o meu maior prazer e penso em seguir como carreira”, afirma. “Faço fotos das partidas de futebol no estado e, sempre que posso, viajo para fazer jogos fora. Já fui a algumas finais da Copa do Brasil, cobri a Copa América de Seleções em 2019 em Salvador, Minas Gerais e a final no Rio de Janeiro”, elenca. “Hoje faço parte da Assessoria de Comunicação do Município de Rio Largo e trabalho com a fotógrafa Mônica Guimarães em casamentos”.

Alisson aponta que muitas das técnicas que usa dependem da ocasião e da especificidade em que a fotografia toma lugar. “As mais usadas na composição são: regras dos terços, presente na maioria das composições; panning que dá um efeito mais artístico; contraluz que pode ser feito em fotos de silhueta ou usar a luz ao nosso favor; golden hour é uma técnica da luz que está sempre presente nos finais de tarde com dias de sol, etc.”

CSA e Palmeiras Pacaembu Campeonato Brasileiro | Foto: Alisson Frazão
Final da Copa América,2019 – Brasil X Peru – Maracanã | Foto: Alisson Frazão

Suas inspirações variam a cada segmento do mundo fotográfico em que atua. “No ramo de casamento eu vejo bastante conteúdo, mas em quem mais me inspiro e tento manter a mesma sintonia é a da fotógrafa Mônica Guimarães. Nas imagens de futebol minha maior inspiração é o Ricardo Nogueira e no Fotojornalismo o Ueslei Marcelino faz fotos sobre tudo muito bem em vários lugares do mundo”, afirma.

Para ele, o cenário para o fotógrafo profissional atualmente é bastante complicado com a desvalorização da imagem, a evolução da internet e a rapidez que se tem hoje através dos smartphones. “Muitos jornais fecharam as portas e os portais de notícias que publicam fotos de internautas que são feitas de qualquer forma. Com tudo isso, são poucos os veículos que prezam pela qualidade da imagem e a valorização profissional”, desabafa. “Já no ramo de fotografia de eventos, a pandemia e os riscos tornou tudo bem mais difícil, também”.

“Já tive várias publicações em grandes veículos, e um que me orgulho bastante foi a oportunidade de fazer um freela para a Reuters, grande agência mundial”. Além disso, suas imagens já compuseram duas exposições coletivas da ARFOC e duas do IMA (Instituto do Meio Ambiente).

Para os projetos que têm em mente, a fotografia de futebol tem escalação garantida. “Tenho um projeto, em parceria com a Agência AGIF, de produção de conteúdo exclusiva para atletas e marcas que dá ênfase a contar a história do atleta ou marca contratante durante aquele jogo ou evento”, revela. “E para o futuro é viver somente e exclusivamente do futebol na Europa, onde a visibilidade é maior e com mais qualidade de vida”.

Foto: Alisson Frazão e Mônica Guimarães





Foto de Capa: Itaciara Albuquerque

Texto: Nicollas Serafim | Edição e Revisão: Iranei Barreto

Instagram: @alissonfrazao_

Instagram: @itawialbuquerque

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