intervenção Aqui Acolá

Prestes a comemorar 50 anos de carreira, Lú Azul é a nossa 26ª Intervenção

A alagoana de Coruripe Maria de Lourdes dos Santos, eternizada nos versos do poeta e artista plástico Beto Leão como Lú Azul, está prestes a comemorar 50 anos de carreira com exposições no Brasil e exterior. Em clima de celebração, a logomarca do Blog Aqui Acolá ganha os traços, linhas, círculos e cores de Lú Azul, 26ª artista a participar da série INTERVENÇÃO.

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Lú Azul. Foto: Blog Aqui Acolá

Sempre colorida, com seu charmoso chapéu e de ótimo astral, Lú Azul recebeu pela segunda vez o Blog Aqui Acolá para falar sobre seu trabalho. Sua aconchegante Casa-ateliê reúne parte de sua obra e muito da sua história. Abstracionista, Lú Azul iniciou sua trajetória artística aos 20 anos, mas desde criança era apaixonada por arte. Ela arrisca dizer que a inspiração veio desde o ventre de sua mãe.  Nas aulas de artes na escola, era muito elogiada pelos professores de desenho e pintura.  No entanto, nunca frequentou escolas ou cursos de belas artes.  “O que eu vi no colégio nas aulas de desenho e de história da arte foi me despertando para isso”, lembra Lú. Tudo que sabe é resultado de muita dedicação e persistência. Aprendeu e desenvolveu seu olhar, técnica e identidade na prática.

Renoir foi sua primeira grande paixão. Inspirada no pintor francês criou uma série de desenhos de crianças que lhes rendeu a oportunidade de expor individualmente, pela primeira vez, na badalada “Varanda Boutique”, a convite de Lena Canavarro, local onde se reuniam artistas e intelectuais da época.  A exposição aconteceu no ano de 1969, prestigiada por artistas como Alex Barbosa, Luciano Gonzaga, Zé Geraldo Marques, Beto Leão, Everaldo Moreira e ilustres personalidades da sociedade alagoana. Abaixo, uma nota que circulou no Jornal Gazeta de Alagoas.

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Arquivo pessoal de Lú Azul

Nesta época, ainda não era conhecida como Lú Azul. Era apenas Lú. Mas, devido a sua paleta de cores predominantemente azul e olhos azulados, o artista Beto Leão se inspirou e escreveu o poema “Lú Azul Azulzinha”. Nessa época tinha muito azul nos meus quadros e Beto Leão fez uma poesia para mim falando do meu azul e daí surgiu o nome. Foi ele que me azulou”, brinca.

Lú Azul Azuzinha
É Lú você só poderia ser azul
Azul como Deus queria aqui
Azul como as terras de lusa
Azul como azulei o mundo
(Céu terra mar tudo tudo)
Lu Azul Azulzinha
Como o luar de madrugada
Nas lendas do meu seguir
E segurei entre estrelas
Entre luas azuis azuis
E passarei entre os tempos
Lindos que nem girassóis
Nos campos de tantos espinhos.
Nas noites escuras de nós
Nos tempos sem sol nem lua
Mil lugares clareantes
Só de azul azul- neon
Clareação nossos eus
(Uma terra de varandas uma cidade girando toda feita em cartolina)
É Lú você só poderia ser azul
Azul seus tempos vividos
Azul seus passos passados
Azul seu corpo azulado
Azul seu povo só seu.
E de azul eu cobrirei
As tantas coisas esquecidas
E tanta coisa que esqueci
Mas não esqueci de você.
Alberto Leão Maia (Beto Leão)
12 de junho 1969

Lú, no entanto, nunca assinou suas obras como Lú Azul.  Preferiu acrescentar o nome do seu estado e a cidade que a acolheu.  “Muitos me criticam pela assinatura ‘Maceió/ Brasil’ que deixo nos quadros. Não ligo”, declarou em tom de brincadeira.  A ideia surgiu quando viu suas obras sendo comercializadas para outros países, a exemplo da Itália, Alemanha e Portugal. Queria espalhar sua arte pelo mundo, mas sem esquecer suas origens.

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Arquivo pessoal de Lú Azul

Entre uma pincelada e outra, Lú cursou alguns períodos de medicina, mas logo percebeu que suas aptidões eram outras. Trabalhou como jornalista na Gazeta de Alagoas como repórter do “Gazetinha”. Foi no jornalismo que Lú conheceu o repórter Walter Lima com quem veio a casar e ter três filhos. Foi por causa do seu casamento que ela deixou sua adorada Maceió. Passou um período em Salvador (BA) e depois mudou-se para Recife (PE), fixando depois  residência em Olinda. Lá a alagoana conheceu um Monge Beneditino, que bordava. Inspirada pelos ensinamentos do Monge, pouco tempo depois, passou a pintar em tecido. “Acho que se não fosse artista plástica, seria estilista. Sempre gostei de reformar minhas roupas.”

Depois de um tempo o casamento chegou ao fim e Lú resolveu retornar para Maceió.  De volta, fixou loja no Pavilhão do Artesanato, na Ponta Verde, por mais de 12 anos. Neste período, potencializou ainda mais sua produção e sua arte passou a habitar em vários suportes além das tradicionais telas. Intensificou a produção de estampas em vestuário a exemplo de vestidos, saias, sapatilhas, bolsas, cangas, camisetas, além de arranjos de plantas, biombos e artefatos de madeira. Daí surgiram ainda mais contatos e vendas para o Brasil e fora, tornando seu trabalho  reconhecido internacionalmente.

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Mais recentemente, em 2001, sua filha Daniela foi viver nos EUA. E Lú passou a se dividir entre Dallas, no Texas, e Maceió. A artista conta que desde então, tem passado em média 06 meses no Brasil e 06 meses nos Estados Unidos. Ao chegar lá foi muito bem recebida, inclusive com convites para expor. Já mostrou seu trabalho no Kiosk Brasil, com o tema de uma pintura abstrata “Cores Fortes Brasileiras”, que incluem velas de jangadas que lembram a praia de Pajuçara.  E no Blue Coal. E já tem outra exposição agendada para dezembro deste ano. Além disso, seus vestidos e bolsas também ganharam as boutiques e passarelas do Texas.  

Sua produção é intensa e ela se diz renovada com o novo mercado que se abre nos EUA. Lú montou um ateliê lá e também tem se inspirado na geografia e costumes da região.  Está sempre produzindo seja lá ou cá. “Não sou de ficar parada, mesmo quando estou impossibilitada de pintar as telas, eu procuro algum arranjo de planta ou outra coisa pra colorir”, revela. “Também gosto muito de pesquisar e costumo dizer que ainda estou buscando pintar aquele quadro, tipo minha obra-prima. Mesmo com tantos anos dedicados à arte, essa busca ainda perdura”. A alagoana conta com o auxílio luxuoso das duas filhas Daniela e Janaina Lima como suas curadoras, o que a deixa tranquila para se dedicar apenas as suas criações.

Lú Começou a pintar desenhos figurativos e, aos poucos, foi se soltando até chegar às formas abstratas, as quais ela se especializou e se tornaram marca registrada de seu trabalho. “Meus quadros são o sinônimos da minha luta e trabalho. Na verdade, eles são a linguagem do meu ser e o geometrismo representa símbolos que são a linguagem universal da minha arte”, explica. Marinas e velas também são bastante comuns em suas obras. Apesar do abstracionismo, ela diz que o forte colorido dos seus trabalhos acabam lhe ajudando a passar para a tela o que ela pretende mostrar com a pintura.

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Obra de Lú Azul | Foto: Blog Aqui Acolá
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Obra de Lú Azul | Foto: Blog Aqui Acolá
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Obra de Lú Azul | Foto: Blog Aqui Acolá
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Obra de Lú Azul | Foto: Blog Aqui Acolá
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Obra de Lú Azul | Foto: Blog Aqui Acolá

Além do pintor Renoir, Lú é fã do também francês Claude Monet e do pintor norte-americano Jackson Pollock, referência do Expressionismo Abstrato. De Alagoas, Lú lembra grandes nomes da arte como Fernando Lopes, Getúlio Mota, Pierre Chalita, Jerônimo Miranda, Delson Uchoa, Violeta Plech, Persivaldo Figueirôa, Alex Barbosa, Chico Viveiros, Orlando Santos, Eduardo Bastos, Paulo Caldas, Rosivaldo Reis, Lula Nogueira, Suel e Germano Munganga, só para citar alguns.

Em sua trajetória, vem mantendo participação em exposições coletivas e expôs individualmente na Sucata Decorações, da empresaria Laís Carnaúba, no Palácio Floriano Peixoto, Instituto Histórico de Alagoas, Academia Alagoana de Letras, Mario Palmeira, Museu da Imagem e do Som (MISA).  E agora prepara sua exposição comemorativa dos 50 anos de carreira.

Intervenção

Para a intervenção da logomarca do blog Aqui Acolá, Lú utilizou uma pintura dimensional inspirada no “Aqui” e no “Acolá”. Na sua interpretação, o “Aqui” representa o presente – o mundo;  e o “Acolá” é um mundo que também é nosso, mas que está além. Ela utilizou as cores para materializar sua interpretação.


Veja também…

As muitas linguagens visuais de Lú Azul

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