Artes

As muitas linguagens visuais de Lú Azul

O mundo de cores e abstrações da artista alagoana Lu Azul habita em vários suportes além das tradicionais telas. Sua arte estampa além de peças de vestuário a exemplo de vestidos e camisetas, como outros materiais em que ela debruça seu olhar artístico aguçado como arranjos de plantas, biombos e artefatos de madeira. O Aqui Acolá foi até sua casa/ateliê para bater um papo sobre sua trajetória no campo das artes visuais que perdura há 48 anos e conferir de perto seus trabalhos reconhecidos internacionalmente

O mundo de cores e abstrações da artista alagoana Lú Azul habita em vários suportes além das tradicionais telas. Sua arte estampa além de peças de vestuário a exemplo de vestidos e camisetas, como outros materiais em que ela debruça seu olhar artístico aguçado como arranjos de plantas, biombos e artefatos de madeira. O Aqui Acolá foi até sua casa/ateliê para bater um papo sobre sua trajetória no campo das artes visuais que perdura há 48 anos e conferir de perto seus trabalhos reconhecidos internacionalmente.

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Lú Azul nasceu em Coruripe, mas veio para Maceió ainda muito nova. Na capital alagoana, recebeu muito incentivo da família que a criou para seguir no caminho da arte. “Acho que em todas as encarnações eu fui artista. Já nasci com isso”, afirma. Autodidata, não frequentou nenhum curso de formação. Aprendeu e desenvolveu seu olhar, técnica e identidade na prática, com a mão na massa.

“O que eu vi no colégio nas aulas de desenho e de história da arte foi me despertando para isso”, lembra. “Mas eu frequentava muito o ateliê de José Paulino quando criança acompanhada da minha irmã, que estudava pintura com ele”.

Começou a pintar desenhos figurativos e, aos poucos, foi se soltando até chegar às formas abstratas, as quais ela se especializou e se tornaram marca registrada de seu trabalho. Em 1969 realizou sua primeira exposição numa boutique na Praça Deodoro, ainda em sua época figurativa. “Pintava crianças, cenas do cotidiano, elementos alagoanos bem fortes como igrejas, aqueles casarios”, diz ela.

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“Nessa época tinha muito azul nos meus quadros e nessa boutique muitos artistas se encontravam. O Beto Leão fez uma poesia para mim falando do meu azul e daí surgiu o nome. Foi ele que me azulou”, brinca.

Marinas e velas também são bastante comuns em suas obras. Apesar do abstracionismo, ela diz que o forte colorido de suas telas acabam lhe ajudando a passar para a tela o que ela pretende mostrar com a pintura. Pouco tempo depois, passou a pintar em tecido.

“Na época eu morava em Olinda e eu queria ver as pessoas andando com meus desenhos. Quando via uma amiga usando um vestido que eu fiz ficava maravilhada e de lá pra cá, não parei mais de fazer essa junção da pintura com a moda”. Além de Maceió, seus vestidos também ganharam as boutiques dos Estados Unidos, onde Lu vai a cada três ou quatro meses.

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Sua produção é intensa, Lú é uma artista que respira a criação. “Não sou de ficar parada, mesmo quando estou impossibilitada de pintar as telas, eu procuro algum arranjo de planta ou outra coisa pra colorir”, revela. “Também gosto muito de pesquisar e costumo dizer que ainda estou buscando pintar aquele quadro, tipo minha obra-prima. Mesmo com tantos anos dedicados à arte, essa busca ainda perdura”.

Junto com seus vestidos, camisetas e kaftas, Lú conta com o auxílio luxuoso dos acessórios produzidos por Janaína Gabriela, sua filha e também curadora. “Já tivemos loja juntas e, apesar da nossa parceria, nós produzimos de maneira diferente. Há 21 anos trabalho com acessórios, sandálias, bolsas bordadas, e ela com as artes plásticas em tela e nas roupas”, diz Janaína.

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“Talvez seja até coisa de criação mesmo, mas eu trabalho muito com o colorido, assim como ela. E até as clientes que ela tem e recebe em casa pra comprar roupas ou quadros acabam virando minhas clientes também”. Atualmente, Janaína está se dedicando mais aos bordados, resinas e búzios. “Procuro sempre fazer algo diferente, que chame a atenção das pessoas”.

Este ano, Lú Azul participou da exposição coletiva Amostra Grátis, onde as obras dos artistas foram ampliadas em grandes banners que ficaram expostas no Complexo Cultural do Teatro Deodoro, ao mesmo tempo em que foram transformadas em cartões postais distribuídos ao público; e do projeto Canteiro de Obras, que apresentou o ateliê dos artistas num videodocumentário, além da produção de um catálogo e uma exposição. Para o futuro, ela pensa em organizar uma grande exposição com suas telas e tecidos em comemoração aos seus 50 anos de carreira.

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Texto de Nicollas Serafim | Créditos das imagens: Acervo pessoal da artista


Lu Azul – https://www.facebook.com/lu.azul.900

Instagram: @luazul_arte

Janaína Gabriela – https://www.facebook.com/janaina.gabriela.10

Instagram: @janaina_gabriela

1 comentário

  1. Ler Lu Azul é mergulhar na sutileza do fazer, é estremecer entre o real e o imaginário, é refletir nos caminhos da alma.

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