Lugares e pessoas: Um Olhar sobre as Imagens de Josian Paulino e Orlando Costa

O Projeto Dossiê Fotografia Alagoana destaca dentro da sua 9ª edição as histórias e trajetórias profissionais dos artistas Josian Paulino e Orlando Costa. Com trabalhos robustos e de forte teor humano e pessoal, as imagens de Josian e Orlando destacam, cada um a sua maneira e a seu repertório de imagens e bagagem cultural as pessoas retratadas por suas fotos – assim como suas relações com o mundo ao redor. O Dossiê é realizado com recurso da Lei Paulo Gustavo (LPG) do Governo Federal, operacionalizado pelo Governo de Alagoas através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.

Josian Paulino -Nascido na histórica cidade de Penedo, interior de Alagoas, Josian Paulino desde a infância recebeu a influência cultural da cidade, do artesanato local, assim como do Rio São Francisco e de tudo o que ele representa. Na adolescência veio para Maceió concluir os estudos e tentar uma faculdade. Entrou para o curso de Comunicação Social na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e lá tomou contato com a fotografia. “Tive o privilégio de pagar uma matéria eletiva de fotografia e ser aluno do professor Celso Brandão, isso em meados dos anos 2000”, lembra ele.

Apesar do impacto do primeiro contato, a arte visual não continuou de forma tão presente em sua vida. “Já em 2010 eu comprei uma câmera semiprofissional para tirar fotos como hobby mesmo, e também parei por um momento”, diz ele. Até que de 2015 para 2016 ele teve o terceiro contato, desta vez definitivo, com a fotografia, o qual perdura até hoje. “Fiz alguns cursos no Senac e na Escola Criattiva. De lá pra cá venho buscando trilhar meu caminho dentro dessa arte, que em breve pretendo transformá-la em minha profissão em tempo integral”. Explica Paulino, que é servidor público!

Nessa trajetória de 8 anos como profissional, Josian vem experimentando diversos assuntos em sua fotografia. “Já enveredei por muitos nichos – ensaios e retratos femininos, fotografia de gastronomia, espetáculos e shows – mas hoje tenho atuado principalmente na vertente documental e na fotografia de rua, e também na fotografia esportiva”. Seu olhar é inspirado nos fotógrafos clássicos como Cartier-Bresson, Sebastião Salgado, Robert Capa, Steve McCurry. “Gosto muito do trabalho da Amanda Bambu, do Jorge Vieira, do Arthur Celso, do Gabriel Moreira, e especialmente da Luna Gavazza que me inspirou muito no preto e branco desde Van da quando eu voltei a fotografar”.

Na parte documental, Josian participa de alguns projetos dedicados aos bairros de Maceió afetados pelo desastre ambiental da Braskem. “Desde quando se começou a expulsão dos moradores, eu e alguns colegas viemos trabalhando em algumas intervenções que servem como registro da memória, do cenário de destruição que ficou naquelas ruas”, revela ele. “É um tema que me chama muito a atenção e é a parte política da minha fotografia”. O resultado desse trabalho foi lançado no último dia 20 de julho na Igreja Batista do Pinheiro – o fotolivro “Expulsão” conta com fotos de Josian em conjunto com Ana Paula Silva, Carlos Eduardo Lopes e Rafael Duarte.

Além da fotografia de rua, dedicada ao cotidiano das pessoas, Josian se interessa pela fauna e flora alagoanas.

Tenho essa série Terra e Mar, que eu gosto bastante, são temáticas ligadas à praia, à terra, às lagoas, aos rios. Essas de plantas e pássaros eu chamo de Tropicália”, afirma.

As paisagens alagoanas também estão sempre presentes nas imagens de Josian. “Detalhes das plantas puxando mais para o abstrato, e também tenho uma série chamada Manguezal, com fotos retratando essa vegetação tão característica da nossa região. A gente é bem servido aqui desse cenário”, diz ele.

Trabalho muito com o próprio olhar e as configurações da câmera, o controle da luz, da abertura e da velocidade de acordo com a estética que quero extrair daquela imagem”, analisa.

Para a fotografia esportiva, ele já produziu para vários eventos como beach tênis, vôlei, handebol, futsal, artes maciais. Sua primeira exposição coletiva foi a Deslimites, também na temática na destruição do bairro do Pinheiro em Maceió realizada em 2020. “Logo após eu fui convidado a integrar o projeto Ruptura, o qual contava com 10 fotógrafos que trabalhavam essa temática. E a partir daí nós fizemos algumas intervenções de rua, como lambe-lambes em ruas do bairro de Bebedouro, na orla de Maceió no dia de finados e outra exposição pela Diteal chamada O chão de nossa casa”. Os quadros resultados dessas intervenções também compuseram a mostra Reencontro.

Ele conta que com o tempo foi perdendo a timidez e já tem planos para organizar a primeira exposição individual, assim como promover as publicações de fotolivros com suas séries fotográficas.

Pretendo também, logo agora, reestruturar minha venda de quadros. E continuar na fotografia de rua, documentar e contar a história das pessoas que estão lá, vivendo e trabalhando, fazendo a cidade acontecer”.

Orlando Costa – O maceioense Orlando Costa entrou em contato com a fotografia através de sua esposa, que precisou fazer um curso básico nesse segmento em um determinado período. “Ela é jornalista de formação e comecei a acompanhá-la nesse curso, até por ele terminar um pouco tarde da noite”, lembra. Os dois concluíram o curso na Escola Criattiva no ano de 2019 e já no ano seguinte ele começou a trabalhar profissionalmente com as imagens.

“Percebi que todo o investimento que estava fazendo em curso e equipamentos já estava bem superior ao que eu imaginava no início”, diz ele. “Proporcionalmente a qualidade do trabalho também foi aumentando, e no meu ciclo familiar e de amigos já estava sendo reconhecido como fotógrafo”. Com isso, algumas pessoas começaram a indicá-lo para fotografar e Orlando sentiu a necessidade de criar um perfil nas redes sociais com um portfólio de suas fotografias.

A formação de Orlando tem uma amplitude larga. De Contabilidade a produtor de eventos, e mais recentemente terminou uma Pós-graduação em Práticas Culturais Populares pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na qual teve bastante contato com a cultura alagoana.  Ele conta que atualmente se considera um fotógrafo voltado ao posicionamento profissional de pessoas. “Atendo e faço fotos no estúdio ou no ambiente dos clientes, nas lojas, escritórios, consultórios”, afirma.

“Hoje o meu foco é trazer essa visão corporativa que eu tenho dentro da fotografia para os clientes que precisam dessa imagem”. Além disso, Orlando também é adepto de fotografar eventos, paisagens, pessoas e objetos.

Pelo seu foco visual profissional, as técnicas de iluminação são as mais utilizadas por ele. “Tive que aprender e estudar bastante sobre esse quesito que é fundamental para um bom resultado”, revela. “Tenho que estar sempre me atualizando porque a fotografia de estúdio é muito dinâmica”. Para ele, a iluminação se configura também como uma assinatura do fotógrafo e ele procura estar sempre se colocando em novas experiências e vivências para a aplicação nos seus projetos.

“No início eu me inspirei muito no Edvan Ferreira e é um cara que até hoje me ensina bastante com a sua fotografia”, diz Orlando. “Admiro também daqui de Maceió o Felipe Brasil, Jon Lins e a Pei Fon. Posso citar outras mais do ramo corporativo como Layssiane Oliviera, e a Amanda Bambu que tem um trabalho mais autoral”, comenta ele. “Ainda no ramo corporativo gosto muito do trabalho da Mik Moreira e na parte mais artística gosto demais do Juba”.

Apesar da maioria de suas fotos serem dedicadas ao ramo profissional dos clientes, ele conta que recentemente por meio de uma viagem pela América Latina iniciou uma série de fotografias de rua. “Essa experiência me fez ter um olhar mais rápido, mais dinâmico e assertivo, porque não há tempo pra você parar e pedir pra uma pessoa desconhecida posar para a foto”. Ele apresentou alguns desses registros da conexão das pessoas e as ruas através de suas redes sociais. “Fiquei muito satisfeito e orgulhoso com o resultado”.

Outra série do artista tem como cenário e foco os Flexais, um dos bairros afetados pelo desastre ambiental provocado pela Braskem em Maceió, o qual ainda está ocupado por moradores. “Tive a chance de fazer uma cobertura jornalística em cima desse caso e fiz uma série de fotos com os moradores”. Ele revela que vem se dedicando a estudar os processos de editais públicos como os das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc para conseguir apresentar suas obras, principalmente as dedicadas à cultura de Alagoas através de exposições fotográficas.

Registros da comunidade dos Flexais, no bairro do Bebedouro, que foi prejudicada pela mineração da Braskem em Maceió.

“O mercado da fotografia alagoana é bem concorrido, tem muita gente trabalhando, mas não acho impossível você se inserir dentro dele se você tem um trabalho crescente e se você tiver coragem para iniciar e para errar também”, analisa. “Maceió é uma cidade turística, com muitas empresas e em qualquer segmento existem muitos fotógrafos disponíveis. Então vejo como um mercado e um cenário crescentes, com muitas oportunidades e muita gente precisando de serviços fotográficos”.

Atualmente, Orlando vem se dedicando à abertura de seu próprio estúdio. “Esse é meu grande objetivo hoje e estou montando um acervo de equipamentos para que no futuro isso seja possível para atender não só demandas corporativas, mas também fotografias autorais, artísticas”, revela. “Eu adoro trabalhar com pessoas e retratá-las requer um cuidado e um estudo muito minucioso que busco sempre inserir nas minhas imagens”.


Redes Sociais dos fotógrafas

Orlando Costaorlandocostaportfolio

Josian Paulinojosian.fotoart


Créditos da reportagem

Direção, pauta, revisão e produção: Iranei Barreto

Texto: Nicollas Serafim

Identidade Visual: Joenne Mesquita


 *LPG  ALAGOAS – O projeto “Dossiê Fotografia Alagoana” é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo do Governo Federal, operacionalizado pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SECULT). O projeto final resultará em um E-book contendo as 10 edições desta temporada. Também será publicado o livro impresso com a 2ª edição do projeto, realizado com recursos da LPG Maceió, operacionalizado pela Prefeitura Municipal de Maceió, através da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa ( SEMCE).


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