
O Dossiê Fotografia Alagoana chega a sua 10ª edição contando as histórias e produções fotográficas de Matheus Monstro e Ana Clark. Matheus é conhecido por sua fotografia de gastronomia e vem enveredando também pela documental, já Ana é especialista em fotografia rural, com foco destacado em imagens de cavalos. O projeto é uma idealização do Blog Aqui Acolá e tem sua realização executada através de recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG) do Governo Federal, operacionalizado pelo Governo de Alagoas através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.

Matheus Monstro – Matheus Alves, mais conhecido no mundo das imagens como Matheus Monstro, é maceioense e lembra que o primeiro impacto das fotografias em sua vida aconteceu em decorrência da música. “Na época de escola eu tocava e gostava de ver as fotos dos músicos nas revistas que eu comprava”, diz ele. Daí pediu ao pai de presente uma câmera e começou a praticar despretensiosamente com as bandas dos amigos e conhecidos em 2009. “Depois de terminar o ensino médio eu visitava bastante um blog bem famosinho na época chamado Fotografe Uma Ideia, que sempre dava uns toques legais sobre questões específicas como fotografar um pôr do sol, por exemplo”, lembra.
Entrou na faculdade de Publicidade e lá também teve contato com a Fotografia, desta vez de forma mais teórica e acadêmica, mas acabou trancando o curso. Também passou por um curso básico no Senac, o que foi bastante importante para sua bagagem inicial. “Nessa época eu conheci o Fabinho Oliveira da Backstage Video que me convidou para fazer alguns projetos e sempre me incentivou e me chamou para fotografar com ele”, afirma. “Fizemos DVD de artistas, viajamos pra João Pessoa, realmente a música que abriu os caminhos para a minha fotografia no início”.




Além disso, a gastronomia esteve sempre presente na vida de Matheus desde o negócio dos pais, até a abertura de seu próprio negócio, o que veio desembocar na fotografia de gastronomia, sua principal vertente profissional atualmente. Após o fechamento da hamburgueria, em meados de 2021, Monstro se viu obstinado a voltar a fotografar intensamente. “Acho que o ano inteiro eu fotografei todos os dias, era um exercício meu – podia ser com o celular, com a câmera ou com o olho mesmo”. E numa visita que fez à casa de uma tia nas imediações da Usina Uruba, no município de Atalaia, ele aproveitou a oportunidade para registrar tudo o que via no local.
“Fiz uma foto de uma panela de galinha que ela estava fazendo e me chamou bastante atenção e com essa foto eu ganhei um Desafio Fotográfico de uma plataforma chamada Pexels”. O Desafio era relativo ao Brasil, e a imagem ficou em primeiro lugar na categoria Comidas e Bebidas, o que lhe rendeu um incentivo a mais na continuação de sua saga gastronômica e fotográfica. “Essa foto foi o divisor de águas na minha vida, foi daí que eu vi para onde eu queria seguir no meu trabalho”, revela. Outro fator que também contribuiu para isso foi um workshop que participou na Escola Criattiva, específico para fotografia gastronômica.






De lá pra cá, ele vem trabalhando nessa vertente com restaurantes e empresários parceiros. Além disso, Monstro também continuou a contribuir com os trabalhos audiovisuais, principalmente dos bastidores das produções, e recentemente ministrou algumas aulas em cursos de gastronomia com dicas sobre a importância da fotografia nos pratos que os alunos produzem.
Matheus tem como referências e inspiração fotógrafos como Victor Muzzi, Isabela Barbosa, Gabriela Mo, Helena Salomão, Duda Gulman, Marcela Oliveira, Bia Azevedo, Débora Gabrich, Débora Lemos e Helena Mazza. “Em Maceió tem o Gabriel Moreira, Henrique Panan, Jon Lins e Felipe Brasil no fotojornalismo”, afirma. “Na fotografia gastronômica eu sempre utilizo a luz artificial, mas aprendi a trabalhar e dominar bastante também a luz natural sempre que possível”, analisa.
Uma de suas séries que ainda não foram expostas nem disponibilizadas em totalidade ao público é “A Rede”, a qual focaliza os pescadores da praia da Avenida no Jaraguá. “Passei dois dias com eles e achei irado e ainda não divulguei, estou com essa série guardada”, afirma. Segundo ele, a ideia é mostrar o cotidiano dos pescadores de arrasto que vão pro mar todos os dias, sob sol ou chuva.
“Tenho também um projeto chamado Galinha Cheia, contando a história da minha vó que era cozinheira de interior e as receitas que a minha família internalizou a partir dela”, diz ele. “É uma espécie de livro de receitas misturado com histórias. Estou finalizando esse material, no qual cada filho(a) escolhia um prato dela e reproduzia como lembrança”. Ele conta que a ideia é transformar esse projeto num livro físico, contudo o material também se desdobrou em um audiovisual. “Acho que a técnica mesmo que eu aprendi a desenvolver durante essa trajetória foi afinar o olhar, acho que é isso que diferencia um fotógrafo”. Para Monstro, a fotografia é sinônimo de entrega aliada à sua bagagem cultural e imagética.










Ana Clark

A alagoana Ana Clark foi criada em Coruripe, município do litoral sul de Alagoas, e após um período de sua vida morando na capital do estado, retornou ao interior onde reside já há 8 anos. “A gente vem de uma família rural, meu pai era selecionador de gado e de cavalos e quando a gente precisava de um profissional da fotografia para o trabalho, a gente tinha que mandar trazer de longe”, lembra. Na época em que estava terminando o curso de Agronomia, pediu de presente de formatura ao pai uma câmera. “Fiz um curso básico aqui em Maceió com o Pablo de Luca, eu não sabia nem mexer e ligar a câmera”, ri.
Ela conta que em 2003 recebeu por e-mail o anúncio de um curso da Universidade do Cavalo ministrado por uma portuguesa que mora na Itália chamada Paula da Silva, uma das maiores especialistas em fotografias de cavalo do mundo. “Parti pra Sorocaba, interior de São Paulo, para fazer esse curso de fotografia de cavalos e minha vida mudou”. Ao voltar para Maceió começou a trabalhar em empresas que faziam leilões de animais. “Agora em maio já se vão 21 anos dessa vida louca de fotografia rural”.





Mesmo os ensaios com pessoas que faz esporadicamente, o cenário e o contexto do trabalho é sempre em ambiente rural. “Não sei mexer com estúdio, com flash, sou apaixonado por luz natural, trabalhar com o sol e ao ar livre de preferência”, diz ela. “Eu até faço ensaios de 15 anos, gestantes, mas sempre alguém ligado ao meio rural”. Atualmente, Ana trabalha essencialmente com a fotografia de cavalos, mas já houve períodos de grandes demandas também com carneiros e gado. As fotos e vídeos que ela produz são utilizados pra compor os catálogos dos animais que participam de leilões.



“Ainda trabalho com esportes equestres como três tambores, vaquejada, hipismo, minha fotografia é essencialmente de bichos”, destaca. Ana Clark revela que nesse tipo de trabalho, a alta velocidade da câmera é fundamental para capturar os animais em movimento. “Já na parte dos ensaios eu gosto muito de usar o desfoque e trabalhar com as maiores aberturas da câmera possíveis”. Segundo ela, em suas inspirações no mundo da fotografia equestre constam nomes como Gabriel Oliveira, Alvaro Maya, Anderson Cavalcanti, Ricardo Mendes, Rubens Ferreira, Raphael Macek. “Dentro desse mercado, são referências excelentes em fotografia. Aqui em Alagoas nós temos Tony Mendes, Dudu Ribeiro, Ítalo Barbosa”, comenta.
Ana já participou de várias exposições coletivas do grupo Perambular Fotográfico e do Instituto do Meio Ambiente (IMA). “Em um concurso do IMA uma foto minha ficou em 2º lugar, essa imagem consegui captar lá do emissário submarino na Praia do Sobral em Maceió” lembra ela. Além do instagram, a principal vitrine de seus trabalhos, ela revela que o boca a boca também funciona muito bem no nicho de mercado fotográfico em que está inserida. “Como eu sou uma pessoa que não faz manipulação de imagem, ao mesmo tempo em que eu perco uma fatia do mercado eu ganho outra”, comenta Ana. “A parte de esportes tem chamado muito a atenção e tem chegado muita gente nova também”.
“Acredito que não quero me sentir nunca realizada para não me acomodar profissionalmente”, analisa. “Já conquistei muita coisa nesses 21 anos, devo muito da minha vida à fotografia, mas eu ainda quero produzir muito e acho que tenho bastantes coisa pra ver e fazer daqui pra frente. Quer me ver feliz, é só chamar pra rodar de carro atrás de cavalos pra fotografar. Eu amo e sou absolutamente apaixonada”, diz ela.



Redes Sociais dos fotógrafas
Matheus Monstro –eu.monstro
Ana Clark – aninhaclark
Créditos da reportagem
Direção, pauta, revisão e produção: Iranei Barreto
Texto: Nicollas Serafim
Identidade Visual: Joenne Mesquita
*LPG ALAGOAS – O projeto “Dossiê Fotografia Alagoana” é realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo do Governo Federal, operacionalizado pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (SECULT). O projeto final resultará em um E-book contendo as 10 edições desta temporada. Também será publicado o livro impresso com a 2ª edição do projeto, realizado com recursos da LPG Maceió, operacionalizado pela Prefeitura Municipal de Maceió, através da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa ( SEMCE).
COLUNA AQUI ACOLÁ – REVISTA PAINEL ALAGOAS

