Idealizado pela jornalista Iranei Barreto, projeto teve a iniciativa contemplada pela Lei Paulo Gustavo (LPG) do Governo Federal, operacionalizada pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.
Alagoas é conhecida por ser a terra dos folguedos e das tradições folclóricas. E é sobre esse horizonte que o “Entorno dos Mestres” se debruça. Desde que foi instituída a Lei do Patrimônio Vivo Estadual, 29 mestres reconhecidos já morreram. O projeto é composto de uma série especial de reportagens do Blog Aqui Acolá e busca resgatar e investigar como é tratada a tradição e o legado deixado por esses mestres da cultura do estado após o seu falecimento. Como resultado final será produzido um documento único em formato de revista disponibilizado em plataforma virtual.
Segundo a idealizadora, a jornalista Iranei Barreto, a importância deste projeto se dá por ter seu foco direcionado sobre os diferentes tratamentos dados aos bens culturais imateriais. “Teoricamente, a Lei é sobre Patrimônio Vivo, mas e quando morre deixa de ser importante? Existe por parte do poder público ações de incentivo que fomentem a manutenção do legado destes mestres após sua morte? E quais seriam os meios para manter a história desses fazedores de cultura viva?”, reflete ela. “Estes são alguns dos questionamentos que norteiam o projeto. A produção jornalística pretende ainda provocar algumas reflexões acerca dos conceitos de memória, tradição e identidade”.
As ações do Entorno dos Mestres já começaram e vão englobar vários municípios alagoanos, em incursões destinadas a encontrar as marcas deixadas pelos mestres de Alagoas. Segundo Iranei Barreto, o intuito é imergir nas comunidades onde os mestres atuavam, colher depoimentos de familiares, dos integrantes dos grupos (quando houver) e do poder público das referidas localidades. “Além de realizar pesquisas e consultas junto a instituições oficiais importantes como a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), Ministério da Cultura (Minc), Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)”.
O público poderá acompanhar o desenrolar do projeto por meio de relatórios das pesquisas publicados no Blog Aqui Acolá (https://aquiacola.net) e também através do perfil criado no Instagram @entornodosmestres, o qual funciona como um “diário de bordo” registrando e compartilhando os bastidores dos trabalhos. A equipe do projeto é composta, além da jornalista Iranei Barreto, pelo jornalista Nicollas Serafim, o publicitário Joenne Mesquita e pelo professor e comunicador Givaldo Kleber. O projeto teve a iniciativa contemplada pela Lei Paulo Gustavo (LPG) do Governo Federal, operacionalizada pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.







Já em fase de produção, a equipe iniciou as investigações na cidade de Coqueiro Seco, onde colheu os depoimentos da Mestra Lucimar, braço direito da Mestra de Chegança e Pastoril Luzia Simões, o diretor de Cultura do município Nayran Lima, e da filha da Mestra, Lúcia Simões. No município vizinho, Santa Luzia do Norte, foi a vez de conhecer os descendentes da rezadeira e benzedeira Mestra Anézia da Conceição: os netos Marineide Silvestre (Tota) e José Silvestre, além do secretário de Cultura do município, Pedro Soares. Seguindo viagem, já em Viçosa, foram entrevistados a Mestra Quitéria, viúva do Mestre Sebastião do Guerreiro de Viçosa, e o jovem Mestre Rafael Oliveira, que divide com Quitéria a missão de dar continuidade ao folguedo.
O objetivo do “Entorno dos Mestres” é resgatar e preservar essas histórias, além de alertar sobre a fragilidade e importância dos bens imateriais, visto que os conhecimentos e técnicas são recebidos e repassados para os descendentes de forma oral, empírica e vivencial. “Os mestres são essenciais para a identidade cultural de uma comunidade ou região. Cada mestre carrega consigo uma perspectiva única e conhecimentos valiosos. Lançar um olhar sobre esse trabalho árduo e dedicado é contribuir com a manutenção e honrar esses legados, além de inspirar o respeito à diversidade cultural. Os feitos e sabedorias dos mestres podem servir como fonte de motivação, aprendizado e reforçar o senso de pertencimento das pessoas a uma herança cultural compartilhada”, analisa a jornalista.
Através do resgate das histórias, a iniciativa busca alternativas para tornar público, inspirar e educar também às gerações futuras. “Os novos descendentes, em muitos casos, não conseguem manter os grupos ou atividade cultural, que acabam deixando de existir. E neste caso, como as próximas gerações saberão quem foram estes importantes mestres e mestras que contribuíram com a cultura do estado?”, questiona Iranei. “A proposta desse projeto é também provocar e discutir formas de promover esse conhecimento. Reunir e fomentar discussões acerca desses importantes personagens”.
*Release enviado para imprensa | Texto de Nicollas Serafim

