Entorno dos Mestres é o novo projeto do Blog Aqui Acolá sobre patrimônio imaterial

A iniciativa foi contemplada pela da Lei Paulo Gustavo (LPG) do Governo Federal, operacionalizada pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.

Identidade visual do Projeto Entorno dos Mestres

A nova série especial de reportagens do Blog Aqui Acolá – Entorno dos Mestres – visa investigar como é tratado o legado dos contemplados com o título de Mestre do Patrimônio Vivo de Alagoas que já faleceram. Desde que foi instituída a Lei Estadual n.6513/04, alterada pela LEI Nº 7.172, de 30 de junho de 2010, 33 mestres reconhecidos já morreram.

O Registro do Patrimônio é financiado pelo Fundo de Desenvolvimento de Ações Culturais (FDAC), com uma bolsa de incentivo para os selecionados consistindo no pagamento mensal de 1,5 salário mínimo, conforme estabelecido pela Lei Estadual, equivalente para a manutenção dos grupos e o repasse dos conhecimentos. Para concorrer ao título, os candidatos devem atender requisitos como ser brasileiro e residir em Alagoas há mais de 20 anos; ter participação em atividades culturais por mais de 20 anos, comprovada por currículo, portfólio e declarações de entidades reconhecidas; estar capacitado para transmitir conhecimentos à sociedade, presencialmente ou por meios de comunicação, e não ser registrado como Mestre de Patrimônio Vivo em municípios alagoanos.

A importância da série jornalística se dá, sobretudo, por voltar o olhar sobre os diferentes tratamentos dados aos bens culturais imateriais. Teoricamente, a Lei é sobre Patrimônio “VIVO”, mas e quando MORRE deixa de ser importante? Existe por parte do poder público ações de incentivo que fomentem a manutenção do legado destes mestres após sua morte? E quais seriam os meios para manter a história desses fazedores de cultura viva? Estes são alguns dos questionamentos que norteiam o projeto. Idealizado pela jornalista Iranei Barreto (que assina esta coluna e também é idealizadora e editora do Blog Aqui Acolá), Entorno dos Mestres busca resgatar e preservar estas histórias, além de alertar sobre a fragilidade e importância dos bens imateriais, que diferente dos materiais, são “particularmente vulneráveis”, justamente porque os conhecimentos e técnicas são recebidos e repassados para os descendentes de forma oral e vivencial. A produção jornalística busca ainda provocar algumas reflexões acerca dos conceitos de memória, tradição e identidade.

Os mestres são essenciais para a identidade cultural de uma comunidade ou região. Cada mestre carrega consigo uma perspectiva única e conhecimentos valiosos. Lançar um olhar sobre esse trabalho árduo e dedicado é contribuir com a manutenção e honrar esses legados, além de inspirar o respeito à diversidade cultural. Os feitos e sabedorias dos mestres podem servir como fonte de motivação, aprendizado e reforçar o senso de pertencimento das pessoas a uma herança cultural compartilhada.

 Ao resgatar suas histórias, o projeto busca meios para tornar público, inspirar e educar também às gerações futuras. É de conhecimento geral, as dificuldades enfrentadas para se manter nos dias atuais um grupo de cultura popular, um saber e um fazer, e esse problema aumenta exponencialmente quando o líder morre. Os novos descendentes, em muitos casos, não conseguem manter os grupos ou atividade cultural, que acabam deixando de existir e isso acontece por diversos fatores. E neste caso, como as próximas gerações saberão quem foram estes importantes mestres e mestras que contribuíram com a cultura do estado?  A proposta desse projeto é também provocar e discutir formas de promover esse conhecimento. Reunir e fomentar discussões acerca desses importantes personagens.

Viagens ao interior – Faz parte das ações do projeto imergir nas comunidades onde os mestres atuavam, colher depoimentos de familiares, dos integrantes dos grupos (quando houver) e do poder público das referidas localidades, além de realizar pesquisas e consultas junto à Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), Ministério da Cultura (Minc), Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Como resultado final será produzido um documento único em formato de revista disponibilizado em plataforma virtual.

O público poderá acompanhar o desenvolvimento do projeto, a partir de relatórios das pesquisas publicados no Blog Aqui Acolá e também foi criado o perfil no Instagram @entornodosmestres, que tem a função de um “diário de bordo” para que os interessados possam acompanhar os bastidores deste trabalho.

É importante também mencionar que o projeto Entorno dos Mestres é assunto de um artigo científico de conclusão do curso de Especialização em Práticas Culturais Populares do Museu Théo Brandão/ Universidade Federal de Alagoas (UFAL), apresentado pela autora deste projeto. Além disto, a iniciativa foi contemplada pela da Lei Paulo Gustavo (LPG) do Governo Federal, operacionalizada pelo Governo de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.

A equipe do projeto é composta, além da jornalista Iranei Barreto, pelo jornalista Nicollas Serafim, o publicitário Joenne Mesquita e pelo professor e comunicador Givaldo Kleber.

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