Artes Exposições

Pedro Caetano celebra 10 anos de pintura em exposições com “Reminiscências”

A mostra individual segue em cartaz na Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes, podendo ser conferida de segunda a sexta-feira, das 08h ao meio-dia e das 14h às 17 horas, com entrada franca. 

Uma década separa “Na Janela do Olhar”, primeira exposição do artista Pedro Caetano instalada na Fundação Pierre Chalita, em 2012; e “Reminiscências”, sua nova individual montada na Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes, desde outubro deste ano. Um total de 20 obras produzidas de 2013 a 2021, reunidas numa unidade visual e representada através de uma aparência mais intimista, convidam o público a conhecer um pouco do processo e evolução do artista. 

A palavra reminiscência remete à etimologia latina e pode ser traduzida como “imagem lembrada do passado; o que se conserva na memória, sinal ou fragmento que resta de algo”. Na filosofia platônica, lembrança de uma verdade que, contemplada pela alma, ao retornar à consciência, se evidencia como o fundamento de todo o conhecimento humano; anamnese. “O meu trabalho flerta com as questões de memórias, transitoriedade e vivências afetivas e por isso esse título, além de ser o nome de um quadro do Iberê Camargo, minha maior referência na pintura”, diz Pedro. “Na obra de Pedro Caetano, a memória afetiva que, sendo parte inequívoca da existência do artista, se faz presente pela fricção entre a adição e da subtração das formas, pela expansão e contração das cores, pela presença e a ausência da matéria pictórica, ” revela Caroline Gusmão, curadora da mostra.

Para o artista, sua nova instalação é recheada de simbolismo, tanto por celebrar sua primeira década de trajetória em exposições, quanto por ser realizada na Galeria de Arte do CESMAC, onde ele se formou em Arquitetura. Revela ainda a evolução do seu processo artístico. “A arte sempre esteve presente na minha vida. Desde criança eu desenhava e lembro com muito orgulho que esse foi o motivo pelo qual escolhi a arquitetura como profissão. Comecei a pintar de verdade no último ano da faculdade em 2008, de lá pra cá não parei mais”. Sua pintura é baseada muito em sua intuição e percepção, de maneira autodidata. “Embora eu tenha feito alguns cursos livres de desenho, logo no início, mas a partir daí meu trabalho foi caminhando de uma maneira muito empírica”, revela.

Ele lembra que os desenhos eram grande referência e ponto de partida para o desenvolvimento das pinturas. “Teve uma época em que eu andava com cadernos e costumava fazer desenhos de observação, tanto das pessoas que faziam parte do meu convívio, quanto dos temas que me interessavam”, afirma. “Contudo, a pintura sempre tomava um rumo diferente e no final o resultado não era nem um pouco semelhante ao desenho inicial”.

O trabalho de Pedro Caetano parte do expressionismo misturado a seus desenhos. Porém seu desenvolver artístico não foi algo friamente pensado, foi acontecendo e se aproximando desse movimento naturalmente.  Suas obras são feitas em tinta acrílica sobre tela, geralmente em grandes dimensões. Ele começou a utilizar a técnica das raspagens em 2013, e para isso usa instrumentos como o cabo do pincel, tampa das tintas, as próprias mãos com luvas, além de outros objetos não muito usuais. “Essa técnica de criar um baixo relevo nas telas através das ranhuras e raspagens que eu vou fazendo acaba por se transformar numa maneira de criar um desenho dentro da pintura”, afirma ele. “Eu diria que é um processo não muito definido. Essas etapas ficam girando, se misturando até o momento que eu me dou por satisfeito com o resultado. Uso bastante tinta, uma massa e volume bem grandes (que são resultado também da minha insatisfação constante no processo) ”, comenta.

As temáticas de suas obras estão sempre relacionadas a sua vida, de alguma forma. “Procuro pintar memórias afetivas através da adição e ausência da matéria pictórica. É uma pintura que flerta com as questões da memória, feita de maneira cortante devido às ranhuras que vou fazendo na tela com a espátula, ou cabo do pincel. Desdobramentos dos desenhos de observação de paisagens, figuras e pessoas do convívio dão vida as pinturas que faço. Em contrapartida às sucessivas transposições de massa cromática, criam-se sulcos na tela que deixam rastros e emaranhados que gerem novas formas de ler a imagem. Lembranças são ausências”, diz. 

2014

“Os temas elegidos pelo olhar-memória de Pedro surgem à vista através de camadas e camadas de tinta densa sobrepostas, técnica conhecida como empasto”, analisa Caroline. “O observador é convidado a percorrer visualmente a intimidade da pele das imagens, estando estas ocultas pelo volume da tinta ou delineadas através das ranhuras que não raramente deixam entrever as cores anteriormente utilizadas e dormentes sob a superfície final”. 

Ainda para a curadora, Pedro tem o mérito de somar à visualidade artística, robustez e significância criativas junto à seriedade da pesquisa envolvida em seu processo de maturação conceitual e produção visual.  “Ao celebrar estes 10 anos de pintura em exposições, a história da arte alagoana agradece e brinda ao sucesso e à continuidade de sua carreira artística”.

Pedro Caetano vem apresentando suas obras em mostras coletivas desde 2008 tanto em Maceió, quanto em outras capitais como Fortaleza e São Paulo. Também já possui no currículo seis exposições individuais – a primeira “Na janela do olhar” ficou em cartaz na Fundação Pierre Chalita em 2012; dois anos depois ocupou o Divina Gula com o trabalho intitulado “Exposição Divina”. Sua terceira mostra foi “Ranhuras” em 2015, no qual conseguiu expor em Maceió e Fortaleza. Já em 2020, no meio da pandemia, estreou a exposição “Diálogos urbanos” no Complexo Cultural do Teatro Deodoro, e teve suas obras espalhadas em outdoors pela cidade e um tour em 360º online das telas. Em 2022, além da mais recente individual “Reminiscências ”, participou das exposições coletivas “RetroExpectativas”; também na Galeria Cesmac de Arte; “Coleção Alagoas: Novas Aquisições”, do BNB Cultural, e do projeto “Velas Telas”; e está com alguns de seus trabalhos expostos no novo espaço Conexão Maceió Shopping – Carajás. Lembrando que ”Reminiscências” segue em cartaz na Galeria Fernando Lopes, podendo ser conferida de segunda a sexta-feira, das 08h ao meio-dia e das 14h às 17 horas, na Rua Cônego Machado, bairro do Farol, S/N.  O público também poderá saber mais sobre o artista através do seu site www.caetanopedro.com e/ou pelo Instagram @caetanopedro.apc

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