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O mundo de papel de Agélio Novaes em nova exposição

Neste mês de dezembro, o Complexo Cultural do Teatro Deodoro está tomado pelas cores e figuras singulares de Agélio Novaes. A mais nova exposição individual do artista intitulada “Meu mundo é o papel” teve sua abertura na última quarta-feira (7), e o lançamento contou com a música do trio Cai Dentro e a leitura dramatizada do texto “O papel nosso de cada dia” pelo teatrólogo, ator e diretor Homero Cavalcanti. Segundo o artista, o conceito da exposição é baseado nas possibilidades que o papel traz como matéria-prima fundamental em todas as suas obras. A mostra se estende em cartaz até o dia 15 de janeiro.

O trabalho conta com a curadoria de Walter Karwatzki, cuja amizade com o artista perdura há mais de 40 anos. “Tenho acompanhado o trabalho de Agélio desde sua primeira exposição, lá em Recife ainda, e tenho percebido um crescimento e um apuramento muito grandes sobre a técnica que ele utiliza”, lembra Walter. “Cada vez ele tem um domínio maior sobre a matéria-prima do papel”. Para o curador, o papel é o suporte ideal para que Agélio Novaes possa expressar sua arte e criar seu mundo.

“Todas as 80 obras desta exposição têm o papel como estrutura fundamental”, diz Agélio. “Além dos trabalhos em colagens, apresento pela primeira vez esculturas em papel machê e papietagem”. Segundo ele, essa nova técnica acabou lhe proporcionando uma experiência fascinante de novas maneiras de expressão visual. “Neste novo trabalho, também apresento 12 gravuras produzidas em arte digital e impressas em fine art”.

“A exposição de Agélio traz um recorte da potencialidade criativa do artista. Ela é um pequeno portal para o grande universo criado por Novaes. A apresentação pública destas obras ultrapassa o simples ato expositivo. Ela é um ato de ressignificação dos tempos”, escreve Walter no texto curatorial.

“Meu mundo é o papel” já estava há muito tempo pronta e, devido à pandemia, só agora conseguiu se materializar e ganhar o destaque merecido. “Agélio produz compulsivamente, ele é um artista que não consegue ficar parado, tem que estar sempre produzindo. Então este trabalho é resultado desse tempo de impaciência, de querer fazer algo, de mostrar o seu trabalho, de levá-lo ao mundo”, comenta o curador. Para ele, a mostra representa um recorte da produção do artista durante os últimos dois anos.

“Fiquei muito feliz e honrado com o convite do Diteal (Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas) em apresentar minhas obras no Complexo do Deodoro, porque expor nesse equipamento cultural possibilita que meu trabalho entre em contato com um público diverso, como estudantes da rede pública, associações e o público espontâneo que circula pelo centro de Maceió”, afirma o artista.

Para Agélio, a mostra também é dedicada a seu fazer teatral. “Trago minhas aventuras pela cenografia, figurinos, adereços, assim como pelo material gráfico”, diz. “Meu mundo é o papel” conta com 5 fragmentos de cenários, figurinos e cartazes, além de fotografias e croquis de alguns espetáculos feitos por ele.

“Estruturada em três grandes segmentos expositivos, temos em Agélio Novaes: Meu mundo é o papel a apresentação de obras de parede, formada por colagens planas, colagens com relevo, pintura em papel e infogravuras. As obras esculturais, realizadas com as técnicas de papietagem e papel machê. E as obras cênicas, formadas por um grande acervo de fotografias de espetáculos, cartazes, figurinos, adereços e material cenográfico”, descreve Walter.

As artes tomaram conta da vida do viçosense Agélio Novaes desde criança. Incentivado por seu pai, que já notava suas habilidades, foi através dele que chegou ao professor Lourenço Peixoto, com quem teve suas primeiras aulas de desenho e pintura. Além disso, andou por Pernambuco e São Paulo estudando Produção Gráfica, Arte Publicitária e Imagens Digitais. Em 1987 realizou seu primeiro trabalho individual em exposição na cidade de Recife chamada “Arte Postal”. Já organizou seis exposições individuais e seus trabalhos já viajaram por Recife, Aracaju, Rio de Janeiro e São Paulo em várias mostras coletivas.

Segundo Karwatzki, a obra de Agélio Novas, como um todo, trabalha com uma segurança muito grande a questão da alagoanidade. “Ao mesmo tempo em que ele tem essa referência de Alagoas, de Maceió, a poética final da obra dele é universal”, reflete. “Ela fala da cultura, dos povos, seus saberes e crenças. Tem a questão da religiosidade, do folclore, da animação. Então ele consegue ser universal falando de Alagoas”.

Foto: Ailton Cruz/ cortesia
Foto: Ailton Cruz/ cortesia

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