Dossiê Fotografia Alagoana

O cotidiano documental através das fotos de Edvaldo Vasconcelos e Deth Nascimento

A 6ª edição do Dossiê Fotografia Alagoana destaca os trabalhos de Edvaldo Vasconcelos e Deth Nascimento, dois fotógrafos que têm como essência a busca pelas imagens do mundo real, do dia a dia das pessoas, seus costumes, seus trabalhos e suas celebrações. O Blog Aqui Acolá conversou com eles sobre suas trajetórias e sensações a respeito da fotografia, tendo Alagoas e sua gente como cenários principais.

Edvaldo Vasconcelos

Fotógrafo Edvaldo Nascimento

Edvaldo é pernambucano da cidade de Limoeiro, mas ainda pequeno veio para Maceió. “Voltei a morar em Pernambuco por uns 9 anos, enquanto estudava e ingressei no trabalho, mas meu coração estava sempre aqui. Alagoas é o meu lugar”, revela. Ele lembra que sempre gostou e tinha muito interesse em registrar os momentos em família através das fotos. “O meu irmão mais velho, Edmilson, tirava umas fotos bem legais e comecei a ficar curioso quanto a isso”. Contudo, por questões profissionais, a intensidade da fotografia em sua vida foi baixando. “Mas só ultimamente estou a me dedicar ao estudo da técnica e dos conceitos de fotografia e revelar o meu trabalho”.

Segundo ele, como não há compromisso formal, Edvaldo considera sua fotografia ainda como hobby. “Porém, há cinco anos me dedico bastante para fazer o melhor e aprender sempre mais a cada dia”. As paisagens são seus principais cenários e focos. “Também gosto muito de fotografar manifestações de rua, de folclore, de cultura. Uma nova paixão é registrar pessoas no seu dia a dia. Aos poucos vou me arriscando em outros estilos, mas como aprendizado”, afirma. Suas imagens são pensadas para retratar fielmente como ele vê o que está na frente das lentes. “Eu vou com uma ideia na cabeça, mas ela pode mudar a qualquer instante em decorrência do estudo do local, das luzes disponíveis na hora”, diz.

A maioria dos trabalhos de Edvaldo Vasconcelos é dedicado a retratar as nuances, muitas vezes imperceptíveis, dos locais comuns. “Penso nas minhas fotos iniciais como um chamado de atenção àquilo que nos cerca, nos encanta e pelo qual passamos de forma inerte. São as minhas coleções de lugares”. Além disso, as festas e folguedos populares realizados nas ruas também prendem sua atenção. “Gosto de mostrar as pessoas que fazem aquilo acontecer. O homem e a mulher simples que fazem suas vestes, seus adereços e se expõem e contagiam a todos. Gosto do passista de frevo, da folia, da criançada aprendendo e participando – é um bom registro para se guardar para o futuro”, revela. Atualmente, Edvaldo vem se dedicando a retratar e registrar a vida das pessoas do campo, principalmente da região de Viçosa e do povoado Bananal no interior de Alagoas. “O trabalho árduo, as casas diminutas, as crenças, em suma, a alma do povo simples e amável”.

Apesar do pouco tempo de atuação, Edvaldo já expôs suas imagens em diversas mostras coletivas como no 5º Salão de Fotografia da Fundação Pierre Chalita, nos concursos de Fotografia Ambiental do Instituto do Meio Ambiente (IMA), nas exposições do grupo Perambular Fotográfico e do Outubro Rosa no Museu do Palácio do Governo de Alagoas, além de ter suas fotografias aceitas em concursos internacionais como o IMPRESSION International Contest of Art Photography de Sardenha e no MIRAGE International Contest of Art Photography em Albânia, ambos neste ano de 2021.

Edvaldo reflete um pouco acerca do momento atual para o cenário da fotografia. Segundo ele, devido à abundância de novos equipamentos com boa qualidade fotográfica, surgiu uma inundação de fotos e fotógrafos e por consequência um novo sentido para a fotografia e para as demais artes da imagem, como o cinema. “Essas novas técnicas estão forçando o antigo fotógrafo a também entender e dominá-las”, pensa. “No entanto, para o mercado profissional de alto nível, ainda não se pode dispensar o fotógrafo com toda sua técnica, conhecimento e equipamento: ninguém quer arriscar o registro de seus grandes momentos”.

Seus próximos passos e planos para o futuro incluem a produção de um livro e uma exposição sobre o Bananal, pequeno povoado de Viçosa. “Quero mostrar a sua gente, sua cultura, suas casas, sua agricultura, seus belos lugares”. Assim como produzir uma mostra destacando seus registros sobre os folguedos e a cultura popular, incluindo o carnaval. “Quero mostrar a beleza do povo na rua em suas formas tradicionais e regionais de cultura e diversão”.

Para ele, o diferencial para o fotógrafo vivendo nessa nova realidade é atuar como produtor de artes fotográficas, ou seja, utilizar as fotografias não apenas como um retrato ou um registro, mas uma exposição de sentimentos e formas. “Um trabalho multifacetado que envolva impressão, recorte, desenhos e tudo mais que nos permita ultrapassar a bidimensionalidade da fotografia”, conclui.

Deth Nascimento

Fotógrafa Deth Nascimento

Nascida em Salvador, Deth Nascimento é filha de pai alagoano e há cinco anos vive em Maceió. “Após morar no Rio de Janeiro e fora do Brasil por muito tempo, recentemente me mudei para Alagoas e hoje me considero uma apaixonada pelas belezas deste local”, confessa. A fotografia entrou em sua vida despretensiosamente como um hobby, uma curiosidade. No entanto, hoje a arte fotográfica é para ela uma importante e decisiva forma de expressão e de conexão com o mundo. 

Há pouco mais de quatro anos de estudos e práticas, Deth revela que costuma praticar prioritariamente a fotografia de rua, de paisagens e documental. “Gosto muito de fotografar pessoas, seu cotidiano e emoções, buscando assim, eternizar momentos”, diz ela. Segundo ela, como a maioria de seu trabalho é criado com a fotografia de rua, a técnica e composição não precisam ser perfeitas nessa área. “Pelo contrário, uma foto tirada rapidamente num momento decisivo é o que traz à foto um senso de autenticidade e realidade”.

 Formada em Letras pela Universidade Estácio de Sá, ela exerceu durante 15 anos a função de Designer Gráfica. Logo após o surgimento do interesse pela fotografia começou a praticar ocasionalmente, sem conhecimento teórico, até que entrou no curso da Escola Criattiva em Maceió. “Neste período participei de várias oficinas, expedições fotográficas e de algumas exposições coletivas, todas em Maceió

Dentre as mostras, estão algumas do coletivo Perambular Fotográfico, a “FOTOgrafandoPOESIA” da Agência de Imagens Fragma, exposição Urbanidade, além de ser membro do Projeto Ruptura, que consistiu numa intervenção urbana com fotos da tragédia socioambiental que recaiu sobre os bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto na capital alagoana. Deth também recebeu Menção Honrosa no V Concurso de Fotografia Ambiental do Instituto do Meio Ambiente (IMA) neste ano de 2021.

Minhas inspirações são artistas como Sebastião Salgado, João Ripper, Guy Veloso, Nair Benedicto e Elza Lima. Todos têm uma composição visual que me agrada muito”, revela. Suas imagens são feitas para carregar histórias do cotidiano, fotos que retratam o dia a dia de pessoas comuns, a maneira como elas vivem e se comportam. “Além disso, utilizo como pano de fundo os cenários da nossa linda Alagoas!” 

Segundo ela, o cenário e o mercado fotográfico atual encontram-se um pouco saturados. “Porém, ainda há espaço principalmente para quem procura inovar nos serviços oferecidos e nos diferenciais. Apesar da concorrência, uma opção seria abraçar um nicho e se especializar para conseguir se destacar no mercado”, reflete ela.

Tocada pela história dos bairros afetados pela exploração da sal-gema pela mineradora Braskem, principalmente através de sua atuação no Projeto Ruptura, Deth pretende produzir um livro com suas imagens capturadas no interior desses bairros. “No futuro, também tenho planos de montar uma exposição sobre o cotidiano dos pescadores da Praia da Avenida em Maceió”.


*Texto: Nicollas Serafim | Revisão e edição: Iranei Barreto | Crédito da imagem que ilustra a capa desta publicação: Deth Nascimento

Instagram de Edvaldo Vasconcelos: @edvfotos 

Instagram de Deth Nascimento : @deth.nascimento 

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