Ateliê

O lugar de criação de Persivaldo Figueirôa

Meu apartamento funciona como ateliê, na verdade, acho que é mais ateliê e moro nele”, diz Persivaldo Figueirôa, que abriu as portas do seu Apartamento-Ateliê, localizado no bairro de Jacarecica, para uma visita da equipe do Blog Aqui Acolá. O artista plástico inaugura a 5ª edição da série Ateliê.

Para quem vive, respira e sobrevive da arte, nada mais apropriado que viver também em meio à arte. Persivaldo conta que não se vê saindo para ocupar um espaço só para trabalhar.

“A intenção era ocupar só um quarto como ateliê e acabei usando todo apartamento, principalmente quando tenho grandes peças, tipo: luminárias e mangues. Fiz três peças medindo 3 metros de altura cada; pintei 10 Biombos, formados por três portas cada, já pintei vela de jangada e o último trabalho de grande proporção foi minha Árvore de Natal do projeto Natal na Avenida da Paz, que teve quase sua totalidade iniciada aqui e por razões óbvias, media cinco metros de altura, foi finalizado no Espaço Armazém”, comenta.

O apartamento em Jacaracica não foi o único imóvel do artista a ser invadido pela arte. Persivaldo lembra que quando residiu no bairro do Benedito Bentes sua casa também era  pensada em um espaço com ateliê. “Deixei uma área coberta, no entanto, surgiu à possibilidade de morar aqui em Jacarecica, o que facilitou mais minha vida, isso ainda na época que era bancário, a vida de artista financeiramente ocupava um plano B.”

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Persivaldo Figueirôa | Foto: Iranei Barreto/Blog Aqui Acolá

O artista naturalizado alagoano é de vertentes, região do Alto Capibaribe Pernambucano.  Em 1984, desembarcou em Maceió para ser bancário, atividade que exerceu durante 13 anos. Porém, a pintura não saía de sua cabeça nem de suas mãos. Ele diz que desde criança se ver como artista. “Como todo mundo que tem essa vocação para a arte aconteceu desde criança. Tenho essa memória desde os oito, nove anos me vejo pintando lá em vertentes. E na escola é que você realmente percebe essa vocação quando faz os trabalhos de Educação Artística”, comenta.

Persivaldo contou com uma grande aliada e incentivadora para entrar de corpo e alma na arte, Cleonice Florêncio, sua mãe, que inclusive pagava por seus trabalhos.  Incentivado por Dona Cleonice desde a infância, a arte foi crescendo dentro de si enquanto ele mesmo crescia. “Sempre gostei de desenhar e minha mãe usava minhas pinturas nas costuras que ela fazia. Então sempre estava produzindo e essa coisa de ser artista veio naturalmente, sem nenhuma pretensão, era algo do dia a dia”.  Na adolescência chegou a trabalhar com pintura de roupa, com um tipo de desenho que se aproximava da xilogravura. Ele lembra com satisfação que algumas de suas clientes ainda têm trabalhos desta fase.

Já em Maceió, realizou alguns cursos para aprimorar sua técnica. “Passei a frequentar o Ateliê de Salles e me soltei cada vez mais”, diz ele. “Já tinha séries de desenhos e fui lá em busca da orientação do pintar.” Também fez algumas oficinas com o artista Achiles Escobar, que foi quando deu inicio ao processo de papietagem, seus desenhos ganharam tridimensionalidade por meio das esculturas de diferentes dimensões.

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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
Persivaldo Figueirôa Foto Acervo pessoal do artista
Projeto Arte no Prato da Algás  | Foto: Acervo pessoal do artista

 

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Projeto Arte no Prato da Algás  | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista
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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista

Toda a sua bagagem de anos de autodidata, aliada às técnicas aprendidas na escola de arte deram a Persivaldo novo fôlego de inspiração e produção. Ficou amigo do também pintor Edgar Bastos, que o levou para dentro do mundo das artes alagoanas, e o incentivou ainda a mais a produzir.

Com o término de seu trabalho no banco, só havia um caminho para seguir, aquele que havia lhe acompanhado a vida inteira. “Não queria mais ser empregado de ninguém e entrei de cabeça na arte. Já tinha conhecimento com arquitetos e pessoas ligadas a esse meio e passei a pintar profissionalmente. A partir daí, meu trabalho só cresceu”.

Figueirôa transita entre muros, esculturas, objetos, telas, cenários, vestuários, nas diversas exposições coletivas e individuais, em ambientes e mostras de arquitetura.  Mais recentemente na Avenida da Paz, dentro do projeto Natal na Avenida da Paz, o público alagoano pode apreciar mais uma de suas intervenções urbanas.

Ousado e subversivo, personifica a vanguarda na arte de retratar as coisas do Nordeste com leveza, elegância e sofisticação.

“As figuras que eu crio têm essa identidade com o nordeste, essa coisa de ser nordestino. A minha pintura transmite isso nas figuras, nas cores quentes, terrosas. Tem ainda minha paixão por lagartixa não sei por quê; tem umas figuras que eu saio criando, tem uns bichos, o universo das sereias que eu gosto muito. Ao mesmo tempo em que isso vai criando um vínculo com meu trabalho, imprimo minha identidade. Mas, nada é pensado com esse propósito, surge naturalmente. Eu não me prendo muito a tema,” explica.

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Persivaldo Figueirôa | Foto: Iranei Barreto/Blog Aqui Acolá

A pintura de Persivaldo Figueirôa se destaca, fundamentalmente, pelo figurativo. Seja humana, animais ou criaturas (inventadas ou não), a figura sempre se destaca em seus trabalhos. Cenas e situações do cotidiano também têm presença garantida em suas obras, assim como os elementos da religiosidade e folclore nordestino.

Além disso, ele também começou a desenvolver um trabalho com esculturas de papel, papel machê e papietagem. Contudo, desta vez, é o abstrato que toma conta de suas inspirações. Curioso, ele também já se aventurou por outros caminhos da arte, como o ferro, a argila e a confecção e decoração de máscaras de carnaval. Outra característica marcante de seu trabalho são as pinturas de grandes dimensões. Ele tem obras gigantes espalhadas pelo estado como o viaduto de Rio Largo, da Praia do Francês e o painel em Jaraguá.

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Obra de Persivaldo Figueirôa | Foto: Acervo pessoal do artista

 

Hoje tento aplicar o meu trabalho artístico em todas as vertentes. Todas as possibilidades que eu tenho de me expressar, eu aproveito. De um cenário para show, cenário para ballet, da tela, da escultura, nas roupas que pinto. Tudo serve de suporte para eu mostrar minha arte. Não me nego a fazer nada. tudo isso é possibilidade de criar,” explica.

A diversidade de suportes também incide na variedade de materiais. De acordo com o artista, a necessidade de produzir algo gera uma demanda por um tipo específico de material. Há algum tempo Persivaldo vem trabalhando também com recicláveis.

Sua primeira individual “Persivaldo Figueirôa: Arte, Ofício e Paixão”, ocorreu em 1995, nas dependências do BIC Banco Agência Maceió.  E a primeira coletiva, cinco anos antes, em 1990, na Estação Ferroviária de Maceió, intitulada “CECI N’EST PAS UNE PIPE”. Na Galeria do Sesc Maceió expôs em duas oportunidades -“Casa de Oração” ( 2003) e “Na parede” (2007).  Olhar Feminino, no Espaço Cultural dos Correios de Maceió, em 2004. Em 2010 aconteceu De quase tudo um pouco” no Cine Sesi Maceió. A última individual Quebra 2012 foi montada no Museu da Imagem do Som (Misa), em 2017, sob curadoria de José Acioli Filho.

Além dasindividuais, Persivaldo tem participação em diversas exposições coletivas, salões de artes, mostras de arquitetura e também já atuou em curadorias. Além disso, tem participado de oficinas com crianças, adultos e adolescentes; projetos culturais, a exemplo de “Arte no Prato”, da Algaz; Museu Itinerante Ultragaz – A arte perto de você – ; Salão de Pintores Alagoanos –TRT 19; “Alagoas em Cena”;  das publicações “Canteiros de obras” e “Maceió Duzentos Anos – Instituto Arnon de Melo”; e do projeto “Natal na Avenida da Paz”, Figueirôa iniciou 2020 participando de três exposições simultaneamente: “Salão de Estandartes Carnavalescos dos Artistas Plásticos Filhinhos da Mamãe”, no Iphan Alagoas;  “Arte na Mesa”, no Shopping Pátio Maceió; e “Carnelevarium II – Prazeres da Carne”, no Complexo Cultural do Teatro Deodoro, a partir do dia 04 de janeiro. O artista também foi selecionado para expor na “Bienal Naifs do Brasil 2020, que acontece de agosto a dezembro, no Sesc Piracicaba, em Piracicaba (SP).


Persivaldo Figueirôa – F: https://www.facebook.com/persivaldofigueiroa.figueiroa | IG: https://www.instagram.com/persivaldofigueiroa/

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