Artes Teatro

Teatro Deodoro celebra seus 107 anos de história e luta pelas artes alagoanas

O dia 15 de novembro de 1910 é uma das mais importantes e significativas datas para a cultura de Alagoas – a inauguração do Teatro Deodoro, que comemora 107 anos de história viva, intensa e pulsante. O Aqui Acolá bateu um papo com Alexandre Holanda, gerente artístico e cultural da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) há 16 anos e importante figura na produção e difusão artística do estado, sobre os caminhos percorridos pela mais importante morada das artes alagoanas, bem como sobre sua própria história, que tem boa parte entrelaçada com a do Deodoro.

Aqui Acolá - Alexandre Holanda - Foto João Ericson (6)
Foto: João Erisson

Alexandre Holanda é maceioense, mas carrega no sangue a fortíssima herança cultural de Viçosa, berço de sua família. Tanto que o espírito da arte tomou-o muito cedo. “Desde pequeno eu gostava desse mundo, quando me deparava com um quadro, um livro, uma música ou uma dramaturgia na TV, eu me identificava”, diz.

Ele lembra que viu o Teatro Deodoro pela primeira vez no final dos anos 1970. “Meu avô foi presidente da Academia Alagoana de Letras por um bom período, quando eu era criança. Então, eu do outro lado da praça, via o Deodoro como um grande palácio”, lembra. “A imagem do Teatro sempre fez parte da minha vida, assim como da vida de todos os alagoanos. Você pode até nunca ter vindo ao Deodoro, mas se receber uma notícia de que ele ficou fechado, você fica revoltado. Há uma sensação de pertencimento muito grande do alagoano por esta casa”.

O teatro foi projetado pelo arquiteto italiano Luigi Lucariny e foi construído durante 5 anos, após a demolição do que seria o teatro 16 de Setembro. Teve as peças “Um beijo”, do alagoano J. Britto e “O Dote”, de Arthur Azevedo como os primeiros espetáculos encenados no dia da inauguração. Passou por várias restaurações e ficou alguns anos fechado, como em 1933, 1946, 1954, 1975 e o mais longo período em 1988 quando passou dez anos em inatividade.

Praça Deodoro (1907) Construção do Teatro Foto: Site História de Alagoas
Praça Deodoro (1907) Construção do Teatro. Foto:Site História de Alagoas
Teatro Deodoro (1950). Foto: Acervo do site historiadealagoas.com.br
Teatro Deodoro (1950). Foto: Site História de Alagoas
Teatro Deodoro (1915 ). Foto: Site História de Alagoas
Teatro Deodoro (1915 ). Foto:Site História de Alagoas

O prédio é composto de uma sala de espetáculos em estilo neoclássico com palco italiano, frisas, camarotes, poltronas totalizando 650 assentos. O saguão é aproveitado para exposições culturais, bem como o Café da Linda. Anexo ao Deodoro, também existe o Teatro de Arena Sérgio Cardoso, aberto em 1972. Em 2014 foi inaugurado o Complexo Cultural, que abrange uma ampla galeria de arte e estrutura para cursos de música, dança, teatro e cenotécnica.

Em meados dos anos 1980, Alexandre começou a se dedicar ao teatro em Maceió, trabalhando com nomes como Lael Correia e Mauro Braga. Mudou-se para São Paulo, onde viveu 10 anos de experiências diversas, boas e ruins. “Trabalhei dois anos no barracão da Escola de Samba da Vai-Vai, no ateliê de adereços. Também atuei como cenotécnico e ator para alguns espetáculos, podendo vivenciar experiências com grandes nomes como Raul Cortez, Célia Helena, Rodrigo Santiago, Sérgio Mamberti, José Wilker, Cláudia Abreu, Jorge Mautner, Arnaldo Antunes, José Celso Martinez”.

De volta a Maceió, aumentou ainda mais sua bagagem na lida cultural participando de curadoria de exposições, eventos e festivais até que chegou, a convite da Secretaria Estadual de Cultura (Secult) através do secretário Beto Leão ao Teatro Deodoro em 2001, gerenciado pela antiga Funted, hoje Diteal. “A partir daí eu fui entrando mesmo de cabeça no mundo da arte e da cultura de Alagoas”, revela. 

Através do Teatro Deodoro, Alexandre pôde conviver com grandes ícones da cultura alagoana e brasileira. Nesses 16 anos envolvido na parte artística do Deodoro, ele já viveu inúmeras situações boas, ruins e engraçadas no dia a dia.

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“Aconteceu um episódio muito peculiar e engraçado num aniversário do teatro. Convidamos o Antônio Nóbrega para fazer um show aqui em duas noites, e ele convidava um mestre da cultura popular local para uma participação de duas músicas. Na primeira noite, ele convidou seu Nelson da Rabeca, que tocou e deu tudo certo. Na segunda, nosso grande forrozeiro Tororó do Rojão foi fazer a participação. Cantou a primeira música, a segunda… e não queria mais sair do palco”, sorri. “As coisas se inverteram e parecia que ele era a estrela do espetáculo”.

Momentos difíceis também marcaram sua trajetória, como a morte do técnico José Valtemir Freitas, conhecido pelos amigos como Sapinho, quando sofreu uma descarga elétrica enquanto preparava o teatro para uma apresentação em 2012. Ele também destaca que a convivência com a equipe técnica do teatro foi fundamental para o amadurecimento das ações culturais promovidas pela Diteal. “São pessoas que aprenderam na labuta do dia a dia. São grandes técnicos que conviveram com os mais diversos estilos, propostas e qualidades de espetáculos. Nossos técnicos têm de 30 a 40 anos de casa, em média”.

Aqui Acolá - Teatro Deodoro - Foto Acervo do Teatro Deodoro
Equipe do Teatro Deodoro. Foto: Acervo da Diteal

O aniversário do teatro Deodoro é um momento de grande importância na história das artes no estado e é celebrado para fortalecer e reafirmar esse segmento. “Estamos com uma programação bem diversificada, que abrange teatro, dança, palhaçaria e música e quase toda ela gratuita, com eventos na praça, inclusive”.

A programação festiva já começou no dia 14 de novembro e vai até o dia 19, englobando oficinas, eventos, performances e espetáculos e pode ser conferida completa no endereço: AQUI

“O teatro me possibilitou produzir, criar e contribuir com a cultura e com a arte de Alagoas”, enfatiza Alexandre. “Uma das grandes satisfações é ver que o Deodoro se tornou um palco totalmente democrático, abrindo espaço para a cultura afro, a cultura popular, o hip hop. Isso é muito positivo e dá uma sensação de missão cumprida”.

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