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O Nordeste em poesia nas canções de Carlos Moura

O cantor e compositor alagoano Carlos Moura estourou nacionalmente nos anos 80 com a música “Minha Sereia”, homenagem que se tornou quase um hino da cidade de Maceió, sendo cantada e executada até hoje. A sua obra, espalhada em 6 discos, é carregada de sentimentos, ritmos e poéticas nordestinas. O Aqui Acolá foi até a casa dele bater um papo sobre a sua bonita história na música nacional.

O cantor e compositor alagoano Carlos Moura estourou nacionalmente nos anos 80 com a música “Minha Sereia”, homenagem que se tornou quase um hino da cidade de Maceió, sendo cantada e executada até hoje. A sua obra, espalhada em 6 discos, é carregada de sentimentos, ritmos e poéticas nordestinas. O Aqui Acolá foi até a casa dele bater um papo sobre a sua história na música nacional.

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura. Foto Divulgação (11)

Nascido em Palmeira dos Índios a 15 de abril de 1951, partiu logo em seguida para viver e crescer em Maceió. Aos 15 anos, ganhou o primeiro violão de um amigo da família e quanto mais descobria os acordes do instrumento, mais o interesse pela música tomava-lhe a cabeça.

Ouvindo os grandes artistas dos anos 60, como Beatles e Rolling Stones, começou a se interessar pela guitarra e formou a banda Os Bárbaros. “Tocávamos muito no Teatro Deodoro e no Arena esse repertório, principalmente Beatles”, lembra. “Comecei a tocar em bailes na cidade e a variedade do repertório abriu muito minha cabeça. Foi uma grande escola”. Nessa época, nasceram as primeiras composições, principalmente em parceria com amigos como Edson Bezerra, Marcos Vagareza – na época, integrantes do Grupo Terra – e Ricardo Sampaio.

Porém, com o tempo, os sonhos começaram a tomar proporções maiores que os limites físicos alagoanos. Por volta de 1979, Carlos Moura deixou a faculdade, pôs a viola no saco e rumou ao Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades. “Fui sem conhecer ninguém, com a cara e a coragem”. Tocava nas boêmias noites cariocas para se manter no Rio, ao tempo em que ia atrás das gravadoras.

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura. Foto Divulgação (1)

Depois de um ano consegui gravar meu primeiro disco. Bati na porta da Top Tape e o George Leibovitz, um francês, me ouviu, gostou e acabou virando o produtor e arranjador do LP”, diz ele. O álbum “Reviravolta” foi lançado em 1980 e é recheado de baiões, xotes e toadas, mas sem deixar de lado o peso marcante e forte das guitarras e do baixo.

A faixa-título soa como uma espécie de desabafo, mas ao mesmo tempo esperançoso (tão presente no dia a dia dos nordestinos) do artista em ter seu trabalho reconhecido. Ela está lá como para marcar a caminhada percorrida até aquele momento:

“Canto de peito lavado, quem quiser pode escutar / Cantando minha agonia, só Deus pode me ajudar”. Para no final, alegrar-se em confiança: “O mundo dá muitas voltas e gira que nem peão / E nessa reviravolta eu posso sair do não”.

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura. Foto Divulgação (3)

O disco tem parcerias com muitos alagoanos como Lucy Brandão, Paulo Renault, Manoel Miranda Jr. e Ronaldo de Andrade. “Quase não teve repercussão, nem músicas na rádio, só algumas matérias de jornal elogiando o álbum. Mesmo com ele gravado, continuei tocando na noite”, lembra Carlos.

No entanto, a verdadeira reviravolta na vida do alagoano retirante só aconteceria em 1982. “Cheguei na Lança, gravadora do Jairo Pires, que já tinha produzido Tim Maia e Zé Ramalho, com uma fita e assinei contrato pra gravar o segundo LP”.

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O álbum “Rosa de Sol” impulsionou a carreira de Carlos Moura a um novo patamar. Nesse trabalho, seu ecletismo só aumentou com ritmos carnavalescos e latinos. Lucy Brandão e Ronaldo de Andrade continuam presentes com suas poesias belíssimas, junto com o baiano Edmundo Carôso. Mas foi uma canção que Carlos assina sozinho a responsável pelo sucesso do disco: “Minha Sereia”.

Estava lá no Rio com saudade de Maceió e compus a música de madrugada. Na mesma hora chamei minha esposa Izabel Tenório pra mostrar, ela escutou só no dia seguinte, mas gostou”, relembra. “Fiz muitos shows e turnês pelo Norte/Nordeste e conheci muita gente boa durante esse tempo”, comenta.

Água de Cheiro” saiu no ano seguinte, gravado com a banda de Alceu Valença assim como em “Rosa de Sol”, e veio para confirmar o talento e a força de suas composições. A música “Cometa Mambembe”, que se tornou um clássico do carnaval da Bahia, foi oferecida a Carlos pelos compositores Carlos Pita e Edmundo Carôso e gravada no disco. “Um certo dia, eu estava em casa quando o telefone toca avisando que eu ia gravar essa música para o Fantástico. Eu quase não acreditei”, conta ele.

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura. Foto Divulgação (2)

Carlos Moura conseguiu entrar no seleto grupo de artistas nordestinos que sacudiram o Brasil nos anos 80, como Alceu Valença, Fagner, Belchior, Moraes Moreira, Zé Ramalho, dentre outros. “Muitos deles são meus ídolos, toquei muitas músicas de Alceu nas noites do Rio, Moraes foi o primeiro cantor de trio elétrico na Bahia”.

Após um tempo longe das gravadoras, ele emplaca outro hit dedicado às águas e terras maceioenses. “Estrela Cor de Areia” foi lançada em 1986 como um single e também faz muito sucesso até hoje.

Depois disso eu não gravei mais nada. Tive problemas de saúde e passei muito tempo parado lá no Rio. Morei em Salvador também, até que voltei pra Maceió”. Depois de alguns anos, ele volta ao estúdio para gravar um disco acústico produzido pelo também compositor alagoano Mácleim e outro dedicado aos ritmos juninos – “Quebrando o Coco”. “Gravamos aqui em Maceió e foi muito bom. Pegamos excelentes músicos como Tião Marcolino e é um disco muito bonito”.

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura. Foto Divulgação (4)

Agora eu voltei a escrever, tinha me acomodado muito com os parceiros. De vez em quando pego o violão e faço alguma coisa”, diz ele. Mais recentemente, foi chamado para participar de vários eventos musicais importantes em Maceió.

Voltou aos palcos durante a festa de 198 anos de Maceió, na mesma noite em que se apresentaram Hermeto Pascoal e Djavan, outros ídolos da música alagoana. Fez uma participação especial no show de Mácleim no Festival Maceió Verão, tocou ainda no Carnaval, no São João de Maceió e na orla da Ponta Verde na noite de Reveillón.

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura. Foto Divulgação (6)

Blog Aqui Acolá - Carlos Moura e Nicollas Serafim
Nosso colaborador Nicollas Serafim e Carlos Moura

1 comentário

  1. Excelente matéria, a começar pelo titulo super musical… Parabéns Nicollas Serafim por mais um belo trabalho.
    Importante esse resgate de um talento desaparecido, colocando-o no lugar merecido: A memória visitada…

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