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Marta Arruda – 30 anos de arte a ferro e fogo

Além da originalidade de suas obras, Marta também traz consigo o pioneirismo de ser a primeira mulher soldadora de Alagoas. Ela conta que a arte entrou de repente em sua vida, de forma despretensiosa; mas que veio para ficar.

A Pinacoteca Universitária abriu suas portas para acolher e abraçar os 30 anos de arte da escultora alagoana Marta Arruda. Em cartaz desde o mês de julho, a exposição conta, através das belíssimas e originais esculturas em aço, a trajetória da artista, homenageando seu talento, criatividade e longevidade.

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Foto: Matheus Arruda

Além da originalidade de suas obras, Marta também traz consigo o pioneirismo de ser a primeira mulher soldadora de Alagoas. Ela conta que a arte entrou de repente em sua vida, de forma despretensiosa; mas que veio para ficar. “Comecei a trabalhar com solda numa serralharia de um amigo, mas a primeira vez que utilizei o ferro pra esculpir foi durante uma greve que aconteceu na construtora Mendes Júnior, onde eu trabalhava”, conta. “Meus colegas começaram a fazer churrasqueiras e eu decidi fazer um enfeite para minha casa.”

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Foto: Acervo da artista
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Acervo da artista

Os resultados foram agradando a ela e aos amigos, até que surgiu a oportunidade de participar de uma seleção no Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco. “Foi minha amiga Lílian Lima que pediu para inscrever minhas esculturas, até então eu nem chamava o que eu produzia de escultura”, lembra. Seu trabalho foi contemplado e ganhou muitos elogios, principalmente do poeta e crítico de arte Ferreira Gullar, um dos julgadores da seleção.

“A partir desse momento eu tomei conhecimento que o que eu produzia era mesmo arte. Depois desse incentivo, passei a trabalhar firmemente nas esculturas”, diz ela. E Marta foi tomando gosto pelas esculturas, pelo labor e o trato com a matéria prima tão bruta usada no dia a dia, mas dominada com a destreza e delicadeza próprias das almas femininas. “Sempre fui muito curiosa nesse aspecto. Eu corto, soldo, lixo e pinto meu trabalho. Aprendi tudo tentando, descobrindo e fazendo”.

Marta Arruda
Foto: Acervo da artista

Em todo esse tempo de carreira artística, seus trabalhos já estiveram em muitas exposições individuais e coletivas, incluindo no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas a comemoração de seus 30 anos de arte ela decidiu fazer em Maceió. “Dessa minha vontade, o Instituto Ideal fez esse projeto e fomos selecionados aqui pela Pinacoteca, que tem dado um apoio muito grande junto com o Sesc, o Alagoas Presente, a Casas Jardim, a Braskem, todos são elos fortes que formam essa corrente”.

Além da exposição, a artista promoveu oficinas ensinando técnicas de se esculpir em aço. “Sempre gostei de repassar o que aprendi, nunca escondi nada. Costumo dizer que se eu morrer hoje não faço falta a ninguém, porque o que eu já formei de escultor em Araguaína, Gurupi e Palmas no Tocantins, em Arapiraca e aqui em Maceió, não tem nem como contar”, brinca.

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A mostra traz peças significativas de toda a sua trajetória, incluindo as primeiras obras esculpidas por ela. Pelos dois salões é possível perceber a evolução, a percepção artística aguçada e as diversas fases de Marta através de suas esculturas abstratas. “A minha maior vontade é continuar produzindo e ensinando, promovendo oficinas, descobrindo novos talentos, melhorando e diversificando meus trabalhos”.

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Foto: Acervo da artista

Em cartaz até o dia 9 de setembro e com entrada gratuita, “30 anos de arte” é uma bela oportunidade de conhecer a história da mulher que se entremeia com a artista, e contemplar a rudeza do aço transformada na singeleza da escultura pelas mãos artísticas de Marta.

Texto: Nicollas Serafim | Fotografia de capa: Flávia Correia


EXPOSIÇÃO “MARTA ARRUDA – 30 ANOS DE ARTE” | LOCAL: Pinacoteca Universitária da Ufal – Espaço Cultural Salomão de Barros Lima| ENDEREÇO: Praça Visconde de Sinimbu, 206, 1º piso – Centro. | HORÁRIO: de segunda à sexta, das 8h30 às 18h| ENTRADA: Gratuita

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