Artes Exposições

Lu Azul celebra trajetória de 50 anos com exposição individual

A montagem “50 Anos Luz: Uma Trajetória Artística” segue em cartaz na Galeria do Complexo Cultural do Teatro Deodoro até 20 de junho.

A Galeria do Complexo Cultural do Teatro Deodoro promove até 20 de junho uma verdadeira experiência imersiva no mundo de cores e abstrações de Lu Azul, que comemora cinco décadas de carreira com a individual 50 Anos Luz: Uma Trajetória Artística”.

 Intensa e expansiva, a criatividade da alagoana não se limita as telas, percorre os mais diversos suportes. O público visitante terá a oportunidade ímpar de conferir relíquias do acervo da artista em suas mais distintas fases, além de apreciar sua obra estampando peças de vestuário e em outros materiais em que ela debruça seu olhar artístico aguçado como biombos, artefatos de madeira, estandartes, esculturas, cadeiras produzidas a partir de papelão pós-consumo, dentre outros materiais e suportes.

“A fantástica obra de Lu azul me traz, por meio dos seus traços geométricos, uma entrega total ao infinito, onde as cores são intensas, mas agradavelmente harmônicas, ou seja, me inquietam, ao mesmo tempo que me acalmam. Ao observar sua arte também deparo-me com desenhos delicadamente traçados, ocupando seus espaços que não permitem vazios, e sou arremetido a desenhos rupestres que me transportam a ancestralidade, quando tinham como pano de fundo o relevo das cavernas, mas agora estão a preencher seus círculos, triângulos, quadrados. Seus traços precisos já nos fazem saber de imediato que estamos diante de uma obra de grande identidade artística…Que pode estar em telas, vestidos ou sabe Deus onde mais”, declara Alexandre Holanda, diretor artístico da DITEAL.

Adiada por conta da pandemia da Covid-19, a exposição comemorativa estava prevista para acontecer em 2020. Um biênio de espera fez com que a artista revisitasse seu trabalho desde o início até os dias atuais, inclusive com uma série de obras inéditas produzidas neste período de isolamento. Lu Azul, no entanto, deixa claro que não se inspirou no período pandêmico como tema para suas obras.

A montagem da exposição foi pensada em família, com sua filha Janaina Gabriela assinando a curadoria da mostra. Apoio do neto Felipe Gurgel, design gráfico, e do genro Manoel Silva, que se ocupou da produção executiva. A artista diz sente-se muito feliz por ter seus familiares envolvidos na sua exposição. As filhas, Janaina no Brasil e Daniela Lima nos Estados Unidos, são suas representantes, desde muito jovens assumiram o compromisso de salvaguardar e comercializar sua obra.  

“Ao me entender de gente e tomar conhecimento da vida, percebi que ao meu redor algo era diferente, a vida tinha mais cores, nosso mundo muita beleza. Esse universo encantador é único, pois transcende cores de um atual abstracionismo que representa um conceito de formas imaginárias. E Lu azul carrega na alma, ao longo de 50 anos de arte, a fascinante e sedutora magia da sua pintura”, conta Janaina.

Trajetória

A alagoana de Coruripe Maria de Lourdes dos Santos, eternizada nos versos do poeta e artista plástico Beto Leão como Lu Azul, é autodidata, não frequentou nenhum curso de formação. Aprendeu e desenvolveu seu olhar, técnica e identidade na prática, com a mão na massa. Veio para Maceió ainda muito nova, recebeu muito incentivo da família que a criou para seguir no caminho da arte. “Acho que em todas as encarnações eu fui artista. Já nasci com isso”, afirma. “O que eu vi no colégio nas aulas de desenho e de história da arte foi me despertando para isso”, lembra. “Mas eu frequentava muito o ateliê de José Paulino quando criança acompanhada da minha irmã, que estudava pintura com ele”.

Renoir foi sua primeira grande paixão. Inspirada no pintor francês criou uma série de desenhos de crianças que lhes rendeu a oportunidade de expor individualmente, pela primeira vez, na badalada “Varanda Boutique”, a convite de Lena Canavarro, local onde se reuniam artistas e intelectuais da época.  A exposição aconteceu no ano de 1969, prestigiada por artistas como Alex Barbosa, Luciano Gonzaga, Zé Geraldo Marques, Beto Leão, Everaldo Moreira e ilustres personalidades da sociedade alagoana.

“Lu não é só azul. É multicolorida. É diversa. Intensa. Forte. Lu é aquela desbravadora de territórios. Aquela mulher aguda. E doce. Pisou fundo na arte e fez dela sua praia. Seu barco. Seu sol. Sua casa. Seu sal. Chegou antes, pioneira de um universo difícil e fascinante, o das artes”, declara a arquiteta e produtora cultural Mirna Porto Maia.

Entre uma pincelada e outra, cursou alguns períodos de medicina, mas logo percebeu que suas aptidões eram outras. Trabalhou como jornalista na Gazeta de Alagoas como repórter do “Gazetinha”. Foi no jornalismo que conheceu o repórter Walter Lima com quem veio a casar e ter três filhos. Foi por causa do seu casamento que ela deixou sua adorada Maceió. Passou um período em Salvador (BA) e depois mudou-se para Recife (PE), fixando depois residência em Olinda. Lá a alagoana conheceu um Monge Beneditino, que bordava. Inspirada pelos ensinamentos do Monge, pouco tempo depois, passou a pintar em tecido. “Acho que se não fosse artista plástica, seria estilista. Sempre gostei de reformar minhas roupas. ”

Depois de um tempo o casamento chegou ao fim e Lu resolveu retornar para Maceió.  De volta, fixou loja no Pavilhão do Artesanato, na Ponta Verde, por mais de 12 anos. Neste período, potencializou ainda mais sua produção e sua arte passou a habitar em vários suportes além das tradicionais telas. Intensificou a produção de estampas em vestuário (vestidos, saias, sapatilhas, bolsas, cangas, camisetas), além de arranjos de plantas, biombos e artefatos de madeira. Daí surgiram ainda mais contatos e vendas para o Brasil e fora tornando seu trabalho reconhecido internacionalmente.

Sua produção chega aos 50 anos ainda mais intensa, Lu é uma artista que respira a criação. “Não sou de ficar parada, mesmo quando estou impossibilitada de pintar as telas, eu procuro algum arranjo de planta ou outra coisa para colorir”, revela. “Também gosto muito de pesquisar e costumo dizer que ainda estou buscando pintar aquele quadro, tipo minha obra-prima. Mesmo com tantos anos dedicados à arte, essa busca ainda perdura”.

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