Artes

Aqui Acolá relembra exposições de 2017

O Aqui Acolá mudou, esticou, ampliou, ganhou novos colaboradores, abordagens, layout e conteúdos… Mas, as exposições continuam sendo nossa principal pauta, por três anos consecutivos. Anualmente, fazemos uma espécie de retrospectiva das mostras que visitamos e/ ou divulgamos.

Como sempre, se você não concordar, monte sua lista e vamos relembrar o trabalho dos nossos artistas. Este ano, temos novidades! Além das 15 exposições, elegemos 15 categorias.

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Tania de Maya Pedrosa em “Naif Tania“.

Vamos iniciar então com aquela que foi para nós a Artista de 2017 – nossa Dama das Artes, Tania de Maya Pedrosa. Considerada uma das grandes referências em arte popular no mundo, a alagoana mostrou um panorama da sua obra na individual “Naif Tania”, na Galeria do Complexo do Teatro Deodoro. Tania também expôs na coletiva “Grand  Baz’ART 2017“, em Gisors, na França, ao lado de  nomes de peso da Europa e da Ásia, a exemplo dos franceses  Jean Francois Glabik, Sandrine Lepelletier ; o street Art indiano Bibek Santra, a Romena Brigitte Breyton , Mario Chicorro de Portugal, dentre outros.

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A curadora Ana Maia Nobre e Tania Maya na abertura de Naif Tania

Consideramos ainda “Naif Tania” como a “Exposição 2017” mais interessante e bem montada do ano. Tania Maya contou com uma equipe eficiente e criativa e como não poderia ser diferente é também de “Naif Tania”, a “Curadoria 2017”, tão bem executada pela designer, arquiteta e artista plástica, Ana Maia Nobre.  A categoria “Montagem 2017” vai para a dupla Alice Barros e Robertson Dorta, que além de “Naif Tania”, assinaram algumas das mais bem elaboradas exposições dos últimos anos.

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Robertson Dorta, Alice Barros, responsáveis pela montagem de Naif Tania, ao lado Alexandre Holanda, diretor artístico cultural da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal). Foto: Divulgação

Os “200 anos de Alagoas” foi tema recorrente de algumas das exposições ao longo deste ano, em especial destacamos a montagem assinada pela professora Socorrinho Lamenha “Poesia Forjada em Ferro”, com esculturas do artista Jackson Lima, poesias de Graciliano Ramos, Jorge de Lima e Jayme de Altavila; além de telas do artista plástico Getúlio Motta. A instalação foi uma realização da Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes.

Também ligada às comemorações do Bicentenário, “Quebra 1912”, Individual do artista Persivaldo Figueirôa, fez refletir sobre o fatídico episódio ocorrido em 1912, onde os principais terreiros de candomblé de Maceió foram destruídos por integrantes de uma milícia formada por veteranos de guerra e políticos; e lançou um olhar sobre o preconceito nosso de cada dia, quando o assunto é Religião de Matriz Africana. Pela importância da sua abordagem criamos a categoria “Reflexão”, que damos também para a exposição “Opressão ao Gênero Feminino: O X da Questão”, de Lilian Babosa, onde por meio de suas obras contou histórias reais de violência contra mulheres cis e trans.

Os 200 anos também foi motivo para uma retrospectiva das obras dos xilógrafos alagoanos Enéias Tavares dos Santos, João Gomes de Sá e Luiz Natividade, na exposição “Nos Veios da Memória“, na Casa do Patrimônio de Maceió (Iphan/Alagoas), com curadoria de Alice Barros, Cármen Lúcia Dantas e Celso Brandão. Em reconhecimento criamos a categoria “Acervo/Memória”.

Já nossa categoria “Memória Afetiva” vai para “Bereguedé e as Festas da Viçosa”. Agélio Novaes promoveu uma verdadeira viagem ao passado e às manifestações folclóricas e populares de Alagoas, inspiradas em suas lembranças da Viçosa onde ele nasceu.

Da contemporaneidade, duas estreias chamaram atenção do público e opinião especializada – Daniel Contin, que expôs no Sesc Centro sua caos arte em “Efêmera Sutileza do Caos”. O artista chama atenção pela profusão de detalhes dos seus desenhos, que chegam ao limite, e narrativa aparentemente desconexa das suas obras. A ele nossa Categoria “Artista Revelação – Desenho”. Para a categoria “Artista Revelação – Artes Plásticas” – Germano Munganga e sua arte visceral, também exposta no Sesc Centro e agora em cartaz no Arte Pajuçara. Ambos foram apostas do casal Milla Pasan e Alisson Almeida (Fábrica de Ideias), a quem dedicamos à categoria “Produtores culturais”.

E para finalizar, destacamos a qualidade do material gráfico da exposição “O Grande Veleiro”, que desembarcou no Sesc Centro contando vida e obra de Bispo do Rosário. E ressaltamos ainda dois “Equipamentos Culturais”, que abrigaram o maior número de exposições selecionadas nesta nossa retrospectiva – a Galeria de Arte do Sesc Centro, comandada por Kelcy Ferreira  e a Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro, que tem a frente Sheila Maluf e Alexandre Holanda.

Categorias 

Exposições 2017 – Exposição Naïf Tania
Artista 2017 – Tania de Maya Pedrosa (Naïf Tania)
Montagem – Alice Barros e Robertson Dorta (Naïf Tania)
Curadoria – Ana Maia Nobre (Naïf Tania)
Artista Revelação – Desenho – Daniel Contin
Artista Revelação – Artes Plásticas -Germano Munganga
Produtores culturais – Milla Pasan e Alisson Almeida (Fábrica de Ideias)
Homenagem aos 200 anos de Alagoas – Exposição Poesia Forjada em Ferro
Reflexão – Exposição O X da Questão
Reflexão -Exposição Quebra 1912
Memória Afetiva – Exposição Bereguedé e as Festas da Viçosa
Acervo/Memória – Exposição Nos veios da Memória
Equipamento Cultural -Galeria de Arte do Sesc Centro
Equipamento Cultural – Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro
Destaque Catálogo – Exposição O Grande Veleiro

E sem mais delongas, vamos às 15 exposições que mais nos chamaram a atenção em 2017.

Naif Tania | Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro


“Naïf Tania” exibiu 22 obras entre pinturas, instalações, roupas, acessórios e esculturas do imenso acervo de artistas Tania de Maya Pedrosa.  Segundo a curadora Ana Maia Nobre, a exposição foi baseada em toda a obra de Tânia. “A sua trajetória artística se confunde com a sua vida, desde a adolescência”, comenta Ana. “Tania não é só uma artista e colecionadora de obras populares, ela foi uma vanguarda em Alagoas”.

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Efêmera Sutileza do Caos | Galeria de Arte do Sesc Centro


 “Efêmera Sutileza do Caos” apresentou ao público trabalhos inéditos do cartunista e ilustrador Daniel Contin – mais conhecido no universo underground alagoano como Daniel Fuzarca. Sob curadoria de Milla Passan, a individual exibiu as obras incomuns, cheias de simbolismos e carregadas de ironia do artista.

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Bereguedé e as Festas da Viçosa | Casa da Cultura de Viçosa.A mostra do artista


O alagoano Agélio Novaes promoveu uma viagem ao passado e às manifestações folclóricas e populares de Alagoas em “Bereguedé e as Festas de Viçosa”. Segundo o artista, as obras remontam às lembranças da Viçosa onde ele nasceu. “Mesmo saindo muito cedo de lá, as festas de rua estão muito vivas na minha memória”, diz ele. “É um resgate de uma cidade encantada pelo olhar de um menino”. Esse olhar enxergou a cidade de Viçosa com sua arquitetura local dos anos 1920 e 1930.

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Nunca Serei Cinza | Pinacoteca da Ufal


A Pinacoteca Universitária da Ufal abrigou a exposição “Nunca Serei Cinza”, individual de Guto Holanda. O artista visual, após migrar entre as técnicas do hiper-realismo, florais e paisagens, criou sua própria poética. Perpassando por alguns questionamentos sobre o cotidiano dentro do ambiente urbano e suas emoções. Para produzir suas obras, Guto faz uso de telas e eucatex, mas também reutiliza materiais encontrados em casas abandonadas e pelas ruas de João Pessoa.

Nos Veios da Memória | IPHAN/Alagoas


A exposição “Nos Veios da Memória” reuniu trabalhos dos xilógrafos alagoanos Enéias Tavares dos Santos, João Gomes de Sá e Luiz Natividade. Com curadoria de Alice Barros, Cármen Lúcia Dantas e Celso Brandão, a mostra contou com 27 impressões de xilogravuras dos três artistas, além de 36 matrizes do mestre Enéias, o homenageado da exposição.

Senhora | Memorial à República


Em Janeiro deste ano, Achiles Escobar ocupou o Memorial à República com “Senhora”, exposição dedicada ao papel da mulher na sociedade, desde o século XVI quando aqui aportaram os navios portugueses, até os dias atuais. A individual também conectou o conceito da mulher com o comportamento da moda em Alagoas. As obras foram representadas pelas cores das quatro estações do ano (em referência à temática da moda) e pelos doze meses do zodíaco. O trabalho também fez referências à fé e à religiosidade através da figura de Nossa Senhora.

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Impressão do Avesso | Galeria de Arte do Sesc Centro


Em “Impressão do Avesso”, Germano Munganga transforma a memória cotidiana em personagens aprisionados em telas multicoloridas e sentimentais. “Às vezes eu tenho dificuldade de expressar em palavras o que estou sentindo. Preciso de uma tela para deixar as informações”. A mostra esteve em cartaz em novembro na Galeria de Artes do SESC Centro; agora poderá ser vista na Galeria do Centro cultural Arte Pajuçara.

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Amálgama| Café da Linda (Teatro Deodoro)

O Café da Linda recebeu a exposição “Amálgama”, do jovem alagoano Dênnys Oliveira. Entre desenhos e esculturas, ele mostrou além de um traço e cores fortes, um viés social e contemporâneo em seus trabalhos, característica de um artista preocupado e alerta com o mundo ao seu redor.

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Poesia Forjada em Ferro| Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes


Poesia Forjada em Ferro” celebrou  o Bicentenário de Alagoas promovendo uma verdadeira viagem pela história, tradições e aspectos da cultura do povo nordestino.  Na mostra,  200 esculturas do artista de Limoeiro de Anadia, Jackson Lima, dividiram espaço com poesias de Graciliano Ramos, Jorge de Lima e Jayme de Altavila; além de telas do artista plástico Getúlio Motta.  A curadoria foi assinada pela arquiteta e professora Socorrinho Lamenha e a realização da Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes.

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Quebra 1912 | Misa


O Museu da Imagem do Som (Misa) abriu suas portas seculares para a exposição “Quebra 1912” do artista visual Persivaldo Figueirôa. A mostra se propôs a contar  um pouco da história do episódio ocorrido em 1912, onde os principais terreiros de candomblé de Maceió foram destruídos por integrantes de uma milícia formada por veteranos de guerra e políticos. O fato acarretou em consequências irreparáveis para as religiões de matriz africana na cidade, reverberando, inclusive, nas manifestações culturais populares alagoanas no século XX. “A intolerância e o preconceito às práticas religiosas de matrizes africanas não conseguem se libertar em sua totalidade e aquele fevereiro de 1912 respinga em dias atuais”, diz Persivaldo.

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O X Questão | Espaço Cultural Linda Mascarenhas


Cada obra da exposição “Opressão ao Gênero Feminino: O X da Questão”, de Lilian Barbosa, foi  inspirada em histórias reais de violência contra mulheres cis e trans. Havia, inclusive na exposição, uma lápide que exorcizava os fantasmas de uma agressão sofrida pela própria artista.

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Gabeia | Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro


A mostra coletiva “Gabeia – Você Nunca Mais o Verá com os Mesmos Olhos”, coletiva dos fotógrafos Adilson Andrade, Arthur Celso, Felipe Almeida, Jorge Vieira e Luna Gavazza; é composta por cinco séries fotográficas de seis fotos, cada uma, totalizando 30 fotografias. O objetivo é “botar luz nesse palco”, ou seja, dar mais visibilidade a um lugar comum e, ao mesmo tempo, pitoresco e rico em histórias e acontecimentos, que é o mercado da produção.

Experimento | Galpão 422 


O mundo do cantor e compositor Wado e agora também artista plástico é mais amplo, ganhando o contorno da sua mente inquieta e criativa. E foi assim que personagens e letras das suas canções, literalmente desenhadas, emergiram dando vida a individual “Experimento”, exposta  no primeiro semestre deste ano, na Galeria Galpão 422.

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Angola | Galeria de Artes do Complexo Cultural Teatro Deodoro

“Angola – Viajando com os olhos”, de Ailton Cruz, apresentou 49 fotografias coloridas que revelaram a visão do artista em sua viagem por Angola, em 2008. Convidado para participar da equipe de brasileiros para a implantação do primeiro Jornal de Economia & Finanças de Angola, na África, como consultor fotográfico, o alagoano teve a oportunidade de realizar viagens pelo continente africano, especificamente pelo deserto do Namibe, onde registrou o modo de vida de etnias tradicionais, tais como a dos Mucubais e dos Mumuilas, na Província da Huíla, que são considerados os verdadeiros grupos tribais ancestrais no território angolano. A curadoria foi da dupla Alice Barros e Robertson Dorta.

Xilogravura e poesia: a arte de Enéias Tavares dos Santos | Museu Théo  Brandão


A exposição “Xilogravura e poesia: a arte de Enéias Tavares dos Santos”, realização do Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB), com curadoria da museóloga Hildênia Oliveira, contou a história do xilógrafo Enéias Tavares através dos seus cordéis, matrizes, impressões e álbuns de xilogravuras. O artista, nascido em Marechal Deodoro, morou em Sergipe e Bahia. Entre outras atividades, trabalhou como feirante, carvoeiro e no Conservatório de Música de Sergipe. Durante vinte e cinco anos, atuou no Museu Théo Brandão, onde fazia xilogravura, cordel e pintura.

5 comentários

  1. Em nome de toda equipe de Cultura do Sesc,especialme da equipe de artes visuais e dos nossos artistas,curadores e parceiros de sempre, agradecemos pelo reconhecimento do trabalho, aproveitando para parabenizar o trabalho deste veículo de comunicação que tem contribuído significativamente com a divulgação,mas também com a formação de público para as artes visuais.

    1. Kelcy Ferreira, grata pelas palavras! Vocês têm feito um excelente trabalho com os artistas. Parabéns para você e toda equipe!

  2. A exposição “CAMA” também deveria ter sido ao menos citada…foi muito visitada e comentada. Misturou artistas consagrados e principiantes.
    Gosto das postagens do blog Aqui Acolá. Legal!

    1. Elisabeth Wolbeck, a exposição “Cama” recebeu nossa atenção sim. Fizemos matéria, entrevistamos cerca de 10 artistas. E também demos bastante atenção nas redes sociais! https://aquiacola.net/2017/03/16/exposicao-cama-reune-trabalhos-de-41-artistas-no-complexo-do-deodoro/
      Mas, se é a lista que você está se referindo. Fizemos uma seleção com 15 exposições. O que já acontece há 03 anos consecutivos. A decisão não é fácil, são muitos trabalhos, realmente. Mas, uma vez decidido, temos absoluta convicção de que são estas as exposições que mais marcaram nosso trabalho naquele dado período. Não existe dúvida ou esquecimento. Todas as nossas postagens são revistas e avaliadas, segundo nossos critérios.
      No entanto, não significa que as demais não sejam valorosas e igualmente importantes. Acredito que o mais importante desta lista é mesmo prestigiar os nossos artistas e também fazer com que pessoas, assim como você que gostam de arte, se manifestem sobre suas preferências.

      Agradecemos sua opinião e audiência!
      Nosso desejo de um feliz 2018!

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