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Saga do povo nordestino é retratada na exposição “Poesia Forjada em Ferro”

A exposição "Poesia Forjada em Ferro" fica aberta para visitação de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h, e às sextas-feiras, das 13h às 16h, até 17 deste mês.

Poesia Forjada em Ferro” celebra o Bicentenário de Alagoas promovendo uma verdadeira viagem pela história, tradições e aspectos da cultura do povo nordestino.  Na mostra,  200 esculturas do artista de Limoeiro de Anadia, Jackson Lima, dividem espaço com poesias de Graciliano Ramos, Jorge de Lima e Jayme de Altavila; além de telas do artista plástico Getúlio Motta.  A exposição tem a curadoria da arquiteta e professora Socorrinho Lamenha e segue aberta a visitação até 17 deste mês, na Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes.

Blog Aqui Acolá - Poesia Forjada em Ferro - Foto Divulgação (1)
Foto: Divulgação
Blog Aqui Acolá - Poesia Forjada em Ferro - Foto Iranei Bareto (3)
Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá
Blog Aqui Acolá - Poesia Forjada em Ferro - Foto Iranei Bareto (2)
Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá

Uma seleção com canções do nosso autêntico forró pé-de-serra ajuda o visitante a fazer um exercício de antropologia da memória.  Nas telas de Getúlio Motta, autor e obra se misturam em um embaralhado de imagens. Nega Fulô surge reluzente e bronzeada de braços abertos, tendo como principal espectador Jorge de Lima.  Mestre Graça é construído a partir dos personagens de sua celebre obra Vidas Secas. Jayme de Altavila aparece acompanhado de sua máquina de escrever.

Na ala dedicada ao Sertão, cotidiano e literatura coadunam-se para mostrar o drama humano, que transcende o próprio tempo e lugar. As esculturas de Jackson Lima alimentam nosso imaginário com personagens vindos do cotidiano e da família de Fabiano e Sinhá Vitória, do romance Vidas Secas. Poemas Gracilianos complementam o ambiente, lembrando a luta de tantos sertanejos, não só contra a força da natureza, mas também contra a estrutura instaurada a partir do poder sócio-político-econômico.

Blog Aqui Acolá - Poesia Forjada em Ferro - Foto Iranei Bareto (28)
Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá
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Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá
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Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá

Para representar o vasto universo dos que enriquecem nosso legado cultural, foi convidado o escultor Jackson Lima, cuja trajetória simboliza o caminhar do homem nordestino, que supera obstáculos, inventa caminhos e não desiste de seus sonhos. 

Menino pobre, desejava os brinquedos que sua mãe não tinha condições de comprar, buscando na natureza e nos objetos descartados como inúteis a substância que ele materializava no mágico mundo de sua infância”, esclarece Socorrinho Lamenha, curadora da mostra.

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Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá
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Foto: Iranei Barreto/Aqui Acolá

“Pra mim foi uma honra, uma satisfação imensa em meio a tanto talento ser escolhido. E ser curado por uma pessoa que conhece desde os primórdios da história da arte, me deixa envaidecido”, declara Jackson Lima.

Na mostra, a brasilidade surge representada pelo verde da Mata Atlântica, dos coqueirais, da cana-de-açúcar e do poema “Canto Nativo”, de Jayme de Altavila,  novelista, cronista, poeta, ensaísta, historiador e fundador da Academia Alagoana de Letras. O espaço conta ainda com esculturas representando a religiosidades, as danças e a música nordestina.

Quando eu morrer,
Você corte um ramo de pitangueiras
E cruze, sobre ele, as minhas mãos.
Quando eu morrer,
Você plante sobre a minha sepultura
Uma palmeira de ouricuri.

Quando eu morrer,
Você diga aos que perguntarem por mim
Que eu morri como nasci:
Brasileiro,
Brasileiro,
Brasileiro.

Canto Nativo”, Jayme de Altavila

A última ala da montagem convida o visitante a mergulhar no azul das águas alagoanas. O ponto de partida é a frase “Há sempre um copo de mar para um homem navegar“, do livro “Invencção de Orfeu”, último que Jorge de Lima publicou em vida. Esculturas de Jackson Lima representam os marisqueiros, pescadores e alimentam a lenda da sereia.

Blog Aqui Acolá - Poesia Forjada em Ferro - Foto Divulgação (2)
Foto: Divulgação

Jackson Lima – A matéria-prima que Jackson Lima  utilizada para confeccionar as esculturas (que parecem ser de ferro) é basicamente de material reciclado e reutilizado por ele – plásticos, arames, madeiras, frascos de xampu, desodorantes, embalagens usadas, etc.

“Tudo que se julga ‘descartável’ uso em minhas peças”, diz ele. “Busquei também, ao longo de aprimoramentos, chegar a um material resistente. Da argila, que antes usava, utilizo hoje uma massa que garante a durabilidade das obras”. Lima afirma que esse foi o melhor modo encontrado para devolver à natureza tudo que ela fornece de presente todos os dias.


A exposição “Poesia Forjada em Ferro” fica aberta para visitação, gratuitamente, de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h, e às sextas-feiras, das 13h às 16h, até 17 de novembro. A galeria fica no anexo campus 2 do Cesmac, onde funciona o curso de Arquitetura à rua Cônego Machado, s/n, bairro do Faro.

Confira também: Exposição “Caminhos” de Jackson Lima segue em cartaz em Arapiraca

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